Cezar Santos
Cezar Santos

Era uma vez, otários que se achavam mais inteligentes que todos

Irmãos Joesley e Wesley Batista são denunciados pelo Ministério Público por uso de informação privilegiada

Joesley e Wesley Batista: pensavam que ficariam livres da prisão e mais ricos, mas a esperteza não deu certo

As sucessivas informações que vêm à tona no rescaldo da delação premiada dos goianos Joesley e Wesley Batista revelam uma autêntica ópera bufa, em que eles realizam o papel de palhaços. Os irmãos combinaram uma delação com o então procurador-geral da República Rodrigo Janot e pensavam que cometeriam ali os crimes perfeitos.

Contavam como certo que não ficariam presos, mesmo diante das fartas provas de corrupção no esquema petista que injetou bilhões de reais do povo brasileiro nas empresas deles. E ainda faturariam milhões com as informações privilegiadas da delação para especular no mercado de ações.

Mas como diz o velho ditado, a es­perteza quando é demais engole o dono.

Numa autogravação (Joesley não sabia que a conversa que ele estava tendo com seu comparsa Ricardo Saud estava sendo gravada) o mais “esperto” dos irmãos se denuncia e deixa clara toda sua arrogância.

Na conversa, cujo áudio foi descoberto por peritos da Polícia Federal, Joesley afirmou ao executivo Ricardo Saud que eles poderiam fazer o que quisessem e não seriam presos. “Porque no final, a realidade é essa: nós ‘não vai’ ser preso; nós sabemos que nós ‘não vai’. Vamos fazer tudo, menos ser preso”, disse Joesley, em determinado trecho da conversa com o executivo, que durou um total de quatro horas e 31 minutos.

“Ricardo, nós somos… nós somos joia da coroa deles. O Marcelo [ex-procurador Miller] já descobriu e já falou para Janot: ‘Janot, nós temos o cara, nós temos o pessoal que vai dar todas as provas que nós precisamos”, afirmou Joesley.

No início até que as coisas foram bem. Os Batistas fizeram a delação, o PGR os autorizou a ir para os Estados Unidos, onde eles têm residência. O acordo foi de “pai para filho”, por sinal, estranhíssimo. Só que a autogravação pôs o arranjo a perder. Rodrigo Janot se viu obrigado a rescindir o acordo de colaboração dos delatores da JBS e oferecer denúncia contra eles por obstrução de Justiça, além de solicitar a conversão da prisão temporária de ambos em preventiva. O ex-PGR ficou mal na fita e tem muita coisa a explicar.

O “crime perfeito” desandou. Os espertalhões caíram na esparrela. Na semana passada os irmãos foram denunciados à 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo pelo uso indevido de informações privilegiadas e manipulação de mercado, lucrando R$ 100 milhões nas aquisições de contratos futuros de dólares.

A procuradora Thaméa Danelon Valiengo — responsável pela acusação a Joesley e Wesley Batista na investigação sobre crimes de uso indevido de informação privilegiada e manipulação de mercado – afirma que Joesley cometeu uso indevido de informação privilegiada e manipulou o mercado em operação de vendas de ações da JBS.

Já Wesley é acusado pelo uso indevido de informações privilegiadas e manipulação de mercado pela recompra de ações da JBS. Joesley e Wesley estão sujeitos a pe­nas máximas de 13 anos e 18 anos de prisão, respectivamente, na hipótese de a 6ª Vara Federal Criminal abrir ação penal e condená-los pelos ilícitos dos quais são acusados. Segundo os procuradores, em tese, os Batista também poderão ter de pagar multa penal no valor de cerca de R$ 700 milhões pelos crimes, caso condenados.

Os caras já estão presos. A vida deles se complica cada vez mais, mesmo tendo um time de caríssimos advogados a defendê-los. A esperteza engoliu os espertos.

Deixe um comentário