Marcos Aurélio Silva
Marcos Aurélio Silva

Ensino híbrido é desafio da volta às aulas

O impacto da pandemia na educação vai refletir na redução das aulas tradicionais e expositivas

As férias de julho terminaram. Mas os estudantes vão seguir em casa. O ensino remoto ainda é a orientação do Conselho Estadual de Educação de Goiás. Até o fim de agosto as aulas presenciais estão impedidas. E neste período as redes de ensino começam a se preparar para a retomada das aulas presenciais, mas claro que o ensino remoto continuará fazendo parte da rotina de professores e estudantes. Será o incremento do chamado ensino híbrido, modelo que deverá ser adotado em Goiás e na maior parte do País. 

São quase cinco meses sem frequentar salas de aula. Desde o início do período de quarentena, muitas ações foram conduzidas para que alunos não fossem prejudicados, academicamente, pelo distanciamento social. As escolas públicas e privadas buscam alternativas: aulas on-line e aplicativos, tem professores dando aula por redes sociais. Tudo isso é válido quando o que se busca é o aprendizado em período de pandemia.

Esse é o escopo do ensino híbrido. Um modelo que promove uma mistura entre o ensino presencial e propostas de ensino online – ou seja, integrando a educação à tecnologia. Essa modalidade de ensino já era discutida há um tempo, mas por representar uma mudança radical na forma de educar, levaria anos para ser implementada no Brasil. No entanto, esse processo foi acelerado pela pandemia, se tornando uma realidade e uma alternativa para retomada das aulas.

O ensino híbrido não era permitido na educação básica brasileira. Mas existem países que já possuem conhecimento e pesquisas que apontam fórmulas e benefícios no modelo. Nos EUA, um estudo feito em Minnesota revelou que é possível reduzir em até dois terços o tempo dos alunos em salas de aula –  sem haver prejuízos ao ensino.  

O ano 2020 será marcado pela educação, como sendo o ano do ensino híbrido, ou seja, de um ensino que começou de modo presencial, mas que, a Covid-19 obrigou a migrar para o remoto. E se for seguida as orientações das autoridades em educação, tudo indica que vamos terminar com a alternância entre aulas presenciais e on-line.

O ensino híbrido chegou de forma repentina e forçada, trazendo contigo muitos desafios. Por isso não existe uma fórmula testada e determinada para ser aplicada para todos os alunos. Neste cenário resta aos educadores lançar mão de todos os recursos disponíveis para o hibridismo. O momento obriga que se busque meios de adequar o ensino a cada necessidade, ou seja, um passo da cada vez.

Veja que o ensino híbrido provoca uma discussão importante que sempre foi deixado em segundo plano no Brasil: democratização e acesso à tecnologia, principalmente como forma de levar o ensino a todos. Esse talvez seja o principal desafio.

Outro grande desafio para aplicar o ensino híbrido é sua aplicação na educação infantil. Já há muitas escolas particulares que fecharam as portas em definitivo devido à perda de alunos e, consequentemente, queda das receitas. Pesa o fato de que as crianças tendem a se engajar menos no ensino remoto, partindo daí a decisão de muitos pais em romper contratos. Além disso, a matrícula em creches não é obrigatória.

Para os educadores o ensino híbrido chega também como desafio. Como ensinar por meio de algo que muitos deles nunca experimentaram? Isso inclui não só o domínio das tecnologias em si. Um estudo do Christensen Institute aponta, por exemplo, que, dentre os educadores entrevistados no Brasil, 71,82% dos que disseram usar tecnologias no ensino o faziam de forma massificada. Ou seja, a tecnologia era apenas um suporte para a transmissão de aulas no formato ‘um-para-todos’.

O impacto da pandemia na educação vai refletir na redução das aulas tradicionais e expositivas. O modelo que pais e alunos conhecem até aqui será substituído por aquelas que trazem os alunos para o centro do processo de ensino. O ensino híbrido será um legado da pandemia.

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