Cezar Santos
Cezar Santos

Eleitor pediu socorro ao PSDB para consertar estragos do PT

Vitória dos tucanos nas eleições municipais é reflexo de desilusão dos brasileiros com gestões populistas e ineficientes nos 13 anos de lulopetismo

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Foto: Reprodução

Os números não deixam dúvidas de que o PSDB foi o grande vitorioso na elei­ção encerrada no domingo passado, dia 30 de outubro, quando os eleitores definiram os prefeitos nas cidades onde houve segundo turno. Os desempenhos dos dois principais protagonistas partidários do Brasil, PSDB e PT, foram diametralmente opostos.

O PT sofreu uma verdadeira derrocada no segundo turno, em que não elegeu nenhum dos sete candidatos com os quais disputou. O partido não conseguiu sequer manter prefeituras na quais era predominante há vários mandatos, como no ABC paulista e a de Porto Alegre (RS). Para os petistas, o de­sastre no segundo turno confirmou a tendência de queda que já havia sido apontada no primeiro turno.

Já os tucanos conseguiram eleger 14 das 19 prefeituras que disputaram em segundo turno. O PSDB concorreu em oito capitais e venceu em cinco delas: Porto Alegre (RS), Belém (PA), Maceió (AL), Porto Velho (RO) e Manaus (AM). Ver­da­de que houve uma grande derrota em Belo Horizonte (MG), residência eleitoral do presidente da sigla, senador Aécio Neves, mas os tucanos fizeram cabelo, barba e bigode no ABC paulista, berço do lulopetismo.

A rejeição do eleitor ao petismo foi por demais evidenciada no segundo turno, mas já tinha sido escancarada no primeiro. O PT sofreu a pior derrota entre todas as legendas sob qualquer aspecto. A perda de prefeituras a partir de 1º de janeiro de 2017 fará o partido voltar praticamente 12 anos no tempo.

Em 2004, no fragor da vitória de Lula da Silva para a Presidência dois anos antes — e antes que se descobrisse o escândalo do mensalão —, o partido elegeu 411 prefeitos. Mais prefeituras foram sendo conquistadas nos pleitos seguintes, até os 644 de 2012. Agora, apenas 256 petistas foram eleitos no primeiro turno e nenhum no segundo.

Já os tucanos fizeram uma farta colheita de votos: elegeu 47% dos seus candidatos a prefeito, a maior taxa de sucesso entre todas as legendas do Brasil. O cálculo considera o número de candidatos lançados pelos partidos e a quantidade de prefeituras conquistadas. Ao todo, 1.719 tucanos disputaram o pleito no primeiro e no segundo turno, e 803 foram eleitos.

Para se aquilatar a evolução do PSDB, nas eleições municipais de 2012, o partido ficou em quarto lugar no número de candidatos eleitos proporcionalmente, com uma taxa de sucesso de 43% — informações de reportagem publicada no dia 1º pelo jornal “Folha de S. Paulo”.

“Em contrapartida, o PT, atingido em cheio pelo escândalo da Operação Lava Jato, que chegou aos seus principais líderes, e pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, teve o mais baixo índice de aproveitamento de sua história recente. Com dificuldade para lançar novos candidatos e levantar recursos para suas campanhas, o PT conseguiu eleger apenas 254 dos 980 petistas que disputaram as eleições este ano. Com uma taxa de sucesso de 26%, o partido ficou na 13ª colocação.

Administração
Várias análises foram feitas nos últimos dias sobre as razões do crescimento dos tucanos e a derrocada dos petistas. A parte escândalos aos montes em que os petistas estiveram e estão envolvidos, com vários deles na cadeia e outro tanto prestes a ir, pouco se fala no aspecto administrativo.

Uso aqui a fala de um deputado federal tucano, Wherles Ro­cha, do Acre — claro que ele é partidário, mas no caso está sendo absolutamente pertinente na análise. Para ele, o desempenho expressivo do PSDB nas urnas é mais uma prova de que a população brasileira rejeitou o discurso petista, optando pela agenda da responsabilidade fiscal e social que o PSDB sempre priorizou.

“Esse crescimento do PSDB, que foi um crescimento expressivo, mostra que a população reprovou o modelo implantado pelo PT. A prova é que todos os partidos ligados ao PT encolheram. O PSDB, que manteve um discurso de responsabilidade fiscal, de equilíbrio, manteve um discurso distante desse que o PT adotou durante os 13 anos de governo, inspirou nessa eleição a confiança e a credibilidade da população. Não dá para colocarmos na vala comum o PT e o PSDB. Não é assim, o eleitor não viu assim. O eleitor mostrou que quer o discurso da responsabilidade, do equilíbrio fiscal, do respeito com a coisa pública, e esse discurso sempre foi do PSDB”, afirmou.

Wherles Rocha afirmou, com razão, que as urnas refletiram o desejo dos brasileiros pela coerência. “O PT encolheu quase 60%. O PSDB cresceu mais de 40%. O que eu vejo é que a população reprovou esse modelo que o PT implementou durante os últimos 13 anos, e a população se identificou nessa eleição com o discurso da coerência do PSDB”, disse.

Também partidário, como não poderia deixar de ser, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, afirmou: “Resgatamos o nosso legado de forma absolutamente clara quando apontamos caminhos corajosos para o Brasil, ainda na campanha eleitoral de 2014. Continuamos a pregar o equilíbrio das contas públicas, a transparência do governo e a denunciar os desatinos cometidos pelos governos do PT”.

Segundo Aécio, a firmeza do partido na condução na liderança do processo de impeachment, a coragem de rapidamente apresentar ao governo Michel Temer uma agenda de reformas foram compreendidas pela sociedade brasileira como um caminho acertado e, em razão de grande parte dessa construção, o PSDB passa a partir de 1° de janeiro a administrar uma população em torno de 34 milhões de brasileiros, algo inédito para qualquer partido político na nossa história democrática.

O senador tucano lembrou que a partir de 1º de janeiro de 2017, prefeitos do PSDB estarão administrando 807 municípios, sendo sete capitais. Os reflexos, apontou Aécio, deverão ocorrer na eleição de maiores bancadas nos Estados e para a Câmara dos Deputados.

Crise
A verdade é que o eleitor está sofrendo a crise econômica que os governos petistas impuseram à sociedade. As duas gestões de Lula da Silva funcionaram enquanto ele seguiu diretrizes econômicas do antecessor Fernando Henrique Cardoso. E enquanto a febre chinesa por commodities imperou, financiando os desvarios petistas de dar dinheiro a rodo para empresários amigos, como Eike Batista e JBS, e semiditadores como Hugo Chávez e Cristina Kirchner.

Depois disso, era necessário que houvesse gestão firme e eficiente, o que não ocorreu, e o governo Lula entrou em descendente. E ele entregou para Dilma Rousseff um verdadeiro abacaxi. Sem a mínima noção de gestão nem de política, ela começou a afundar o país na crise econômica, que perdura e da qual só nos recuperaremos ao longo de pelo menos cinco anos. E Dilma só não concluiu o desastre porque foi defenestrada pelo Congresso.

O resultado da incúria petista é que hoje os brasileiros sofrem com a volta da Inflação, queda de renda, desemprego elevado e aumentando, fechamento de empresas em todos os Estados, caos em serviços como saúde, segurança pública e educação…

Tudo isso afeta diretamente a qualidade de vida das pessoas, o que se faz sentir mais perceptivelmente nas cidades. E o eleitor, na ânsia de ver seus problemas resolvidos, ou pelo menos com soluções encaminhadas, deu nas urnas o recado: queremos nas prefeituras gente que saiba administrar; cansamos de blablablá, de conversa fiada; não queremos mais embromação; chega de populismo barato; basta de ineficiência e de desperdício dos nossos impostos.

Por isso, o eleitor descarregou votos nos tucanos. Foram votos de esperança. O PSDB cresceu nestas eleições, enquanto o PT minguou, os números confirmam. Foi o apelo do eleitor para que os tucanos consertem os estragos que os petistas vêm causando nos últimos 13 anos.
A responsabilidade dos tucanos é grande. Resta saber se eles estão à altura da missão que o eleitor lhe outorgou. l

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