A possibilidade de uma aliança entre PT e PSD para as eleições 2024, considerada empolgante há uma semana, já é dada como quase impossível. As razões são várias. Enquanto Vanderlan Cardoso, do PSD, não dá sinais de que abrirá mão da disputa pelo Paço Municipal, tampouco Adriana Accorsi, do PT, faz sinalizações de que aceitaria ser vice.

Com o recall das eleições recentes, o nome de Vanderlan Cardoso surge como o primeiro colocado na maioria das pesquisas internas dos partidos. Se em 2022 Vanderlan Cardoso caminhou com o PL, hoje o senador presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado tem dificuldade de negociar com o Partido Liberal, que aposta em Gustavo Gayer. 

O contraste entre PL e PT causa estranhamento no eleitorado, e surge com mais força a tese de que é hora de Vanderlan Cardoso fortalecer a si próprio. Seu “grupo político” é o próprio partido, PSD, cuja maior parte dos membros apoia o governador Ronaldo Caiado e teria dificuldade de acompanhar Vanderlan junto ao PT.

Por parte do PT, há o interesse de lançar candidaturas próprias nas capitais, em especial naquelas como Goiânia, onde o bolsonarismo é forte. Surge ainda a tese entre os petistas de que Vanderlan Cardoso teria aproveitado o diálogo com o PT para enviar recados ao governo. Isto é, mais do que uma sincera tentativa de aproximação, o senador teria tentado comunicar que não está isolado e que possui outras alternativas. 

Fato é que, mantidas ambas candidaturas, Vanderlan Cardoso deve desidratar com o anúncio oficial do candidato da base governista, enquanto Adriana Accorsi não deve perder eleitores. Isso porque o governador Ronaldo Caiado (UB) tem dado sinais de que a base governista planeja apoiar o ex-prefeito de Trindade, Jânio Darrot (MDB), por ter um perfil de político-gestor. O perfil coincide com o de Vanderlan Cardoso, que também é um empresário bem sucedido e terá seu eleitorado dividido. 

Outra razão pelo apoio da base governista a Darrot é o argumento de que a alternativa, Bruno Peixoto (UB), seria um aliado importante demais para se perder no comando da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). O governador, que tem planos para a corrida presidencial de 2026, vai precisar de uma Assembleia unida a seu lado, e os possíveis substitutos de Peixoto não passam suficientemente a sensação de comprometimento com a base. 

O perfil ideal medido nas pesquisas qualitativas também foi detectado por outro partido: o PSDB. Até aqui, os quadros testados pelos tucanos não atenderam ao critério de experiência a em gestão aliada à experiência administrativa. São eles: o jornalista Mateus Ribeiro, a vereadora Ava Santiago, o ex-secretário de finanças de Goiânia Valdivino Oliveira. O nome em balão de ensaio é o de Raquel Teixeira, atual secretária de educação do Rio Grande do Sul.