Marcos Aurélio Silva
Marcos Aurélio Silva

Com Bolsonaro, Patriota ganhará força e tende a lançar candidato ao governo em Goiás

Deputados federais e estaduais devem seguir presidente para partido que ele se filiar, podendo criar um novo PSL

Embora os holofotes estejam todos voltados para a crise mundial gerada pela pandemia, é errôneo pensar que os políticos deixaram em algum momento de primar pelas articulações. A eleição da Câmara dos Deputados e do Senado é a grande prova de que a busca pelas composições não deixou de ser prioridade nem por um instante. Com vistas a campanha eleitoral de 2022, que já bate à porta, as movimentações são mais intensas do que se divulgam ou deixam transparecer. E, neste cenário, há uma decisão que, embora não esteja nas manchetes, é muito esperada: a possível filiação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao Patriota. E essa definição pode resultar numa significativa mexida no tabuleiro político de Goiás.

Há mais de um ano na tentativa de fundar o Aliança pelo Brasil, Bolsonaro ficou longe de atender aos requisitos para ter seu partido registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em razão disso, o presidente confirmou que a escolha do partido que irá se filiar será anunciada nos próximos dias. Uma das siglas que ele diz que estar “namorando” — quase “cansando” — é o Patriota, e essa disposição dele em se juntar ao partido passa por Goiás. O presidente regional da legenda, Jorcelino Braga, foi quem fez o convite para que Bolsonaro assine sua ficha de filiação ao partido — e há uma forte inclinação para isso.

Caso se confirme a filiação de Bolsonaro ao Patriota, Jorcelino Braga terá feito uma jogada de mestre no jogo político goiano, confirmando sua habilidade de articulação e de marketing político. Um movimento difícil de ser equiparado por outro líder partidário até 2022. O grupo que o presidente pode trazer para a sigla resultaria não só cadeiras na Câmara dos Deputados, como daria condições plenas para formação de uma chapa forte para concorrer ao governo e ao Senado — tornando o Patriota uma espécie de novo PSL. 

Ao se filiar ao Patriota, Bolsonaro traria consigo o deputado federal Major Vitor Hugo, que hoje está no PSL, mas trabalhou ferrenhamente para montar o Aliança pelo Brasil. O deputado, que já foi líder do governo na Câmara dos Deputados, tem forte ligação com o presidente e sua maneira de fazer política — militam em defesa das mesmas bandeiras e caminham juntos. Em razão disso, é certo que o acompanhará em qualquer que seja o partido que o presidente escolher.

Uma segunda cadeira (ou até mais) no Congresso pode ser garantida ao Patriota com a filiação de Bolsonaro. Um dos nomes que pode compor o grupo é o da deputada federal Magda Mofatto, hoje no PL. Ela teria objetivo de se lançar candidata ao Senado numa chapa encabeçada pelo MDB. Mas, como há uma forte possibilidade dos emedebistas se aliarem ao governador Ronaldo Caiado (DEM) no projeto de sua reeleição, a deputada pode embarcar no projeto do Patriota. O deputado Lucas Vergílio não fala sobre o assunto, mas é um dos objetos de desejo do bolsonarismo, que também está de olho no deputado Francisco Júnior, dada a identidade na questão da pauta comportamental e religiosa. Mas o parlamentar deve ficar no PSD, agora encorpado pelo ex-ministro Henrique Meirelles.

O Patriota pode abrigar também o empresário e ex-senador Wilder Morais, que nas eleições de 2020 foi vice de Vanderlan Cardoso (PSD) na disputa pela Prefeitura de Goiânia. Num partido fortalecido com a presença do presidente, Wilder Morais pode se lançar a deputado federal (ele costuma sugerir que pretende disputar mandato de senador). O presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Romário Policarpo (que também é o vice-prefeito de Goiânia), e o próprio Jorcelino Braga também podem lançar candidatura a deputado federal.

O efeito Bolsonaro deve refletir também na Assembleia Legislativa. Acredita-se que ao menos três deputados estaduais devam migrar para o Patriota, entre eles está Paulo Trabalho — atualmente no PSL. As filiações garantem a formação de uma chapa consistente para disputar as eleições em 2022 — lembrando que a atual regra não permite coligações para disputa ao Legislativo.

Uma das primeiras mexidas promovidas pelo Patriota já está em curso. Motivado em ir para o partido, o empresário e ex-prefeito de Trindade Jânio Darrot se desfiliou do PSDB — partido que já comandou nos últimos anos e que conseguiu eleger prefeitos em importantes cidades do Estado. A filiação de Jânio Darrot, que está definida, só ocorrerá graças à forte articulação de Jorcelino, que sabe da habilidade que o ex-prefeito tem em aglutinar forças. Jânio Darrot foi convidado pelo Patriota para representar o partido nas próximas eleições, também como candidato a governador.

As lideranças nacionais têm uma aposta: a filiação de Bolsonaro (e sua família) no Patriota fará o partido ser o novo PSL. A tendência é de que a sigla consiga eleger uma bancada encorpada para o Congresso — o que resultará no aumento da participação do partido no fundo partidário e no fundo eleitoral — e para as assembleias. 

Em Goiás o Patriota tem muito a ganhar com a chegada de Bolsonaro. Mesmo que não viabilize uma chapa majoritária que dispute o governo, terá grande força para sentar-se à mesa de negociação — será desejado em todas as alianças.

Uma resposta para “Com Bolsonaro, Patriota ganhará força e tende a lançar candidato ao governo em Goiás”

  1. Avatar Valentim aparecido fargoni disse:

    Ótima notícia, esperamos o presidente Bolsonaro de braços abertos.

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