Cezar Santos
Cezar Santos

A Celg agora vai?

Com o processo de transferência da empresa finalmente concluído, agora é esperar que os tão necessários investimento sejam realizados

Com investimentos, os goianos esperam que acabem as frequentes interrupções no fornecimento de energia / Fernando Leite/Jornal Opção

Com investimentos, os goianos esperam que acabem as frequentes interrupções no fornecimento de energia / Fernando Leite/Jornal Opção

Na campanha passada, a oposição ao tucano Marco­ni Perillo considerou que o governador tinha alguns handicaps que poderiam ser explorados eleitoralmente. Segurança pública era o mais vistoso, digamos. E em alguns momentos, pela pregação oposicionista, parecia que Goiânia era o lugar mais perigoso do mundo. Os petistas faziam questão de esquecer que o caos da segurança pública é responsabilidade direta do governo federal, que contigencia verbas da área.

O outro ponto que seria explorado era a Celg. E efetivamente, a empresa passava, como continua passando, por vários problemas. Os “apaguinhos” se tornaram frequentes em todo Estado. Nas áreas rurais, então… Os problemas foram enfatizados na campanha. Mas aí, eram os peemedebistas que faziam questão de esquecer que a venda de Cachoeira Dourada, a chamada “galinha dos ovos de ouro” da empresa, foi feita por eles, no governo de Maguito Vilela.

Os problemas da Celg continuam. Mas agora, há de fato uma luz no fim do túnel — se não faltar energia para acender essa luz. No início da semana passada, a Eletrobrás comunicou ao mercado a conclusão do processo de transferência de 50,9% das ações da Celg D. Com isso, a empresa de capital aberto, controlada pelo governo brasileiro, se torna oficialmente acionista majoritária da distribuidora de energia elétrica de Goiás. A estatal federal pagou R$ 59,4 milhões à CelgPar pelo controle acionário da congênere estadual.

Após finalizar o acordo, a empresa enviou um comunicado aos acionistas: “A Eletrobrás formalizou na data de 27.01.2015, a assinatura do termo de transferência no Livro de Transferência de Ações Nomina­tivas, bem como a Celg D, promoveu o respectivo assentamento no Li­vro de Registro de Ações Nominativas, segundo disposição constante do Art. 100, da Lei no. 6.404/1976.”

O texto explica ainda que “A Celgpar, inicialmente detentora de 100% das ações de emissão da Celg D, permanece com uma participação de 49%, preservando a propriedade de 73.848 milhões de ações ordinárias.”

Com a transação, chega ao fim uma negociação iniciada ainda no governo de Alcides Rodrigues. Em agosto de 2009, o então presidente Lula da Silva esteve em Goiânia. Num palanque armado na Praça Cívica, diante de 30 mil pessoas, Lula quis fazer demagogia com o assunto. Ele falou sobre o acordo que o governo do Estado fora pedir em nome da Celg.

Disse Lula: “A Celg vale 184 milhões de reais de patrimônio e sua dívida é quase 6 bilhões de reais. Já está pronto um acordo para ajudar a Celg. Ontem fiz uma reunião com o ministro Lobão (Edson Lobão, então ministro de Minas e Energia) e com o presidente do BNDES (Luciano Coutinho), nós estamos agora com um grupo de técnicos da Eletrobrás dentro da Celg, olhando a papelada para que a gente possa fazer um ajuste, tirar a Celg da inadimplência para que ela possa fazer muito mais programas de energia para a população de Goiás. Em menos de um mês teremos resolvido esse problema”, afirmou Lula.

Pois é, menos de um mês…

As negociações foram retomadas por Marconi Perillo, em 2011. O negócio seguiu entre marchas e contramarchas, em tratativas com a Eletrobrás, Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e Minist­ério de Minas e Energia. O Estado captou empréstimos federais de R$ 3,7 bilhões para reduzir o endividamento da Celg D, que na época chegava a quase R$ 7 bilhões.
Bem, se o negócio está concretizado, a população espera que agora os investimentos necessários sejam realizados.

E há motivo para esperança. Com o controle acionário da companhia definitivamente nas mãos da Eletrobrás, o presidente da Celg Participações (Celgpar), José Fernando Navarrete Pena, informou que a estatal federal terá de investir em torno de R$ 800 milhões nos próximos dois anos para pôr fim aos problemas de queda de energia.

Segundo Navarrete, esse plano de investimento terá de ocorrer para reforçar a rede de distribuição, aumentar a capacidade de entrega das cargas energéticas em todo o Estado e revisar a malha da eletrificação rural, a fim de dar maior consistência e confiabilidade ao sistema.
Segundo o presidente da companhia, nos últimos quatro anos foram investidos cerca de R$ 5 bilhões na Celg, e agora, com a parceria da União, serão multiplicados os esforços para sanar as interrupções no fornecimento de energia.

Com a transação encerrada, a Celg poderá passar a se chamar Eletrobrás Goiás. Foi o que ocorreu em outros Estados em que houve negociações similares. O governo federal ainda definirá se manterá ou não o nome da empresa.

Para os goianos, não importa o nome, embora sempre haverá aqueles que digam que um patrimônio nosso foi vendido. O que importa, de fato, é energia boa, sem interrupção. Inclusive para a instalação de mais empresas em nosso território. Uma das queixas mais frequentes tem sido a de que indústrias estariam deixando de vir para Goiás por causa da instabilidade no fornecimento de energia.

Paulo Garcia dá tiro no pé
tiro no pe

Foto: http://furodebala.blogspot.com.br

 

É incrível a capacidade que tem o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, de falar e/ou fazer coisas que nada ajudam a sua administração. Depois de ficar em silêncio obsequioso nas redes sociais durante um bom tempo, ele resolve voltar. E logo de início se mete em um episódio pouco construtivo, ao criticar uma charge publicada no jornal “O Popular”.

O desenho é de uma simplicidade total e nada bombástico. Nessa área, é bom que se diga, quanto mais simplicidade melhor, o recado tem mais eficácia no seu poder de crítica. No desenho, o chargista faz um trocadilho, utilizando as palavras “zorra” e “sargento Garcia”. Paulo não gostou, achou desrespeitoso e invectivou contra o autor e o jornal. Será que não gostou da alusão à zorra (bagunça, desordem) que o chargista Jorge Braga insinua estar Goiânia? Ou ao fato de ser retratado como o indolente Sargento Garcia?

Por conta da crítica à charge, Paulo envolveu-se num bate-boca virtual com o procurador federal Helio Telho.

E em entrevista ao Clube de Repórteres Políticos, o petista chamou o presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), Jayme Rincón — cotado para ser candidato a prefeito da capital, em 2016, pelo PSDB —, de “protótipo de político”.

Disse que Rincón “nunca foi testado nas urnas” e, pior, afirma, na base do “diz-que-diz”, que o governador Marconi Perillo considera Rincón “uma cruz que ele [Marconi] tem de carregar”. Paulo imaginou que ganha algo em fazer uma maledicência tosca. Quem conhece os bastidores da política sabe que não é assim. Marconi tem reiterado o valor do auxiliar, de quem é amigo para além da política — curtiram juntos, com as respectivas famílias, férias recentes no exterior.

Aliás, Marconi reagiu de pronto às declarações de Paulo: “Jayme é um dos mais operosos auxiliares do governo, responsável pela condução do maior volume de obras já realizado pela administração pública de Goiás. Além de muito competente, ele é um auxiliar dedicado, focado integralmente nos assuntos da Agetop, em relação a quem não tenho nenhuma restrição ou objeção a fazer”.

Paulo Garcia poderia ter ficado sem esse “cala-boca”.

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