Marcos Aurélio Silva
Marcos Aurélio Silva

Campanha para título eleitoral de jovens na estratégia política

Voto da juventude exige mais do que título; requer  representatividade entre os candidatados e propostas sólidas que atendam aos anseios desse eleitorado 

O voto dos jovens de 16 e 17 anos é facultativo, mas podem fazer diferença. Essa a razão desse público ter se tornado parte da estratégia eleitoral para este ano. Campanhas nas mais diversas redes sociais, discursos em festivais de música e apelos de artistas da TV tem o intuito de alcançar o eleitorado que ainda não fez o título de eleitor. A mobilização é reflexo da disputa polarizada e acirrada entre esquerda e direita – estar na preferência da juventude será uma grande disputa.

Para se ter ideia do peso dos votos dos jovens já aptos para participar do processo eleitoral, eles somam um contingente de 1.093.529 eleitores. Esse número pode aumentar, já que a emissão do título eleitoral vai até 4 de maio. Nas últimas eleições gerais, em 2018, foram mais de 1,4 milhão de pessoas dessa faixa etária aptas para votar no mesmo mês.

É notável que essa parcela de eleitores possui uma especial e ativa participação em grupos de discussões nas redes sociais, entretanto, esse mesmo “público” prefere ficar de fora, ou se abster, quando o assunto é política partidária, ou até mesmo, o direito a votar para escolher seus representantes nas eleições. 

O desinteresse dos jovens pela política é crescente e está associada à descrença da juventude em relação aos políticos, casos de corrupções envolvendo gestores públicos, polarização no debate e até mesmo a falta de representação de seus ideais em forma de políticas públicas. Mesmo com a inversão da pirâmide populacional, em que o número de jovens, de um modo geral, tem sido reduzido no Brasil, há uma desmobilização dos jovens no que diz respeito à militância política partidária, que acaba sendo maior do que a redução da população de jovens.

A aproximação do fim do prazo para emissão de novos títulos eleitorais, tem intensificado uma disputa entre esquerda e direita. O que está em jogo é um potencial eleitorado. Quem tem procurado mais se identificar é a esquerda, personalizada em Luiz Inácio Lula da Silva , do PT. 

A esquerda criou um discurso voltado aos jovens e que tem como principal argumento que o fato de que basta atuação digital para mudar os rumos da política – na ótica petista, vencer Jair Bolsonaro (PL), assim evitando mais quatro anos de mandato do capitão do Exército. As campanhas para atingir esse eleitorado jovem beneficia Lula.

Além de estar em primeiro lugar nas pesquisas, o petista tem 51% de intenção de voto na faixa entre 16 e 24 anos, enquanto Bolsonato amarga 22%, segundo a última pesquisa Datafolha, publicada em 24 de março. Trata-se do grupo etário com maior resistência ao presidente. No eleitorado geral, sem recorte de idade, Lula aparece com 46%, e Bolsonaro, 26%.

Os números dessa pesquisa mostram como o jovem eleitor é importante para estratégia eleitoral deste ano. Mas não se deve acreditar que apenas campanhas de incentivo para que se faça o título eleitoral vai garantir o apoio dos jovens a um projeto político de mudança. Há mais a se fazer.

Políticos e partidos que contam com a participação de jovens nas eleições, precisam ser seriedade para conquistar esses votos. Está na juventude a força para mudanças, mas esse não é um eleitorado que se encoraja com promessas vazias. Para isso basta analisar da participação desse eleitorado em anos anteriores. Nota-se claramente que o desgaste das instituições políticas, notadamente os parlamentos e partidos, vêm provocando um afastamento entre os jovens e a política, o que se reflete no baixo comparecimento eleitoral nos anos anteriores.

Historicamente o jovem sempre foi agente relevante nas transformações políticas e sociais, e atualmente não é diferente. É incontestável que os jovens possuem grande poder de mobilização social e seus movimentos geralmente alcançam elevado grau de visibilidade, agora potencializada com as redes sociais. A política só se renova com o envolvimento dos jovens, para tanto, é um erro achar que eles não gostam de política. Na verdade, o que eles não querem participar das formas tradicionais da política. A pauta política dos jovens passa pelas questões de gênero, sexualidades, raciais, meio ambiente, educação e cultura. Sem propostas sólidas dentro desse espectro, não haverá engajamento eleitoral –  consequentemente, os jovens poderão até ter o título, mas não irão votar. 

Partidos e candidatos que quiserem realmente incorporar os jovens a suas estratégias eleitorais, terão que fazê-lo de forma séria e respeitosa. Tento uma proposta assertiva, utilizando-se da linguagem adequada, garantindo a representatividade jovem, há se ter uma real e positiva na transformação da sociedade, principalmente diante da onda conservadora que o país vivencia.

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