Rodrigo Hirose
Rodrigo Hirose

Caiado completa 70 anos de idade diante do maior desafio da carreira

Perto de concluir o nono mês de gestão, democrata já tem alguns resultados a mostrar em seu primeiro mandato no Executivo, mas ainda há um longo caminho a perseguir

Caiado, Gracinha Caiado, Anna Vitória e Lincoln Tejota celebram o aniversário do democrata | Foto: Governo de Goiás

O governador Ronaldo Caiado (DEM) completa 70 anos de idade, nesta quarta-feira, 25, diante do maior desafio na carreira política. Depois de cinco mandatos como deputado federal (1991-1995 e de 1999 a 2015) e um de senador (que assumiu em 2015 e deixou em 2018 para disputar a eleição para governador), pela primeira vez o democrata assume um cargo no Poder Executivo – o de governo do Estado de Goiás.

No próximo dia 30, Caiado completa nove meses no Palácio das Esmeraldas. É uma gestação. O democrata assumiu com um rombo consolidado de R$ 3 bilhões e mais R$ 3 bilhões projetados para o resto do ano. Ou seja: R$ 6 bilhões de déficit: o orçamento aprovado na Assembleia Legislativa fixou as despesas anuais em R$ 32 bilhões, enquanto as receitas ficaram em R$ 26 bilhões. Não é preciso ser um especialista em finanças públicas para imaginar o tamanho do problema.

Com o caixa vazio, Caiado teve de encarar outras dificuldades. A Universidade Estadual de Goiás, por exemplo, passa pela maior crise em vinte anos de história.  A folha de pagamento, que passou do R$ 1,096 bilhão. O déficit previdenciário vai fechar o ano na casa dos R$ 2,5 bilhões. Com as despesas obrigatórias, os recursos ficam quase que totalmente comprometidos com pagamento de funcionários e custeio da máquina. Não sobra dinheiro para investimentos.

Para enfrentar o desafio, Caiado montou um secretariado composto, em parte, por técnicos de fora. O governador foi duramente criticado por isso. Mas é preciso reconhecer que alguns deles têm mostrado resultado.

É o caso da secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Andréa Vulcanis. Com experiência na área (tendo passagens pelo Ibama), Vulcanis tem se saído bem no enfrentamento da crise hídrica. Com ações que vão do controle do uso de água por parte de produtores ao uso de reservatórios particulares, a Região Metropolitana de Goiânia vem passando satisfatoriamente pelo período de estiagem.

Até o momento, não foi preciso apelar para o impopular e sacrificante rodízio de água. Para o próximo ano, a secretaria promete mais investimentos para que, finalmente, o reservatório da Barragem do João Leite seja usado plenamente.

Outro que tem bons resultados a mostrar é o secretário da Segurança Pública, Rodney Miranda. Desde o início do ano, os indicadores criminais têm caído sistematicamente – é bem verdade que em 2018 houve queda no número de homicídios em Goiás, mas a virtude do secretário foi ter aprofundado as ações de forma que essa redução não só fosse mantida, mas ampliada.

Em relação ao tráfico de drogas, a mudança no foco operacional resultou nas maiores apreensões de drogas já realizadas no Estado. O alvo preferencial, agora, é no grande traficante e na quebra financeira das organizações. Há ainda um caminho enorme a ser seguido até que o goiano sinta-se seguro (o que talvez seja uma utopia em um país conflagrado como o Brasil), mas é inegável que os passos estão sendo dados.

Politicamente, o governo Caiado conseguiu vitórias importantes na Assembleia Legislativa, como a aprovação da adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) – mais simbólico que prático – e a PEC que incluiu os gastos com a UEG no percentual obrigatório da Educação. Duas matérias difíceis, depois de um início complicado na relação com os deputados estaduais.

Mesmo a área econômica, se não tem trazido boas notícias, tem conseguido segurar o pagamento dos servidores em dia e não se tem registro de reclamação de atraso por parte dos fornecedores. Falta reconquistar parte dos servidores, que ainda não engoliram o parcelamento do pagamento de dezembro, herdado da gestão anterior, e que estão temerosos com possíveis impactos do Regime de Recuperação Fiscal (RRF).

Ao completar 70 anos, Caiado tem, sim, alguns motivos para comemorar – ainda que somente no final dos quatro anos é que se poderá dizer se ele foi exitoso diante desse seu maior desafio.

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