Cezar Santos
Cezar Santos

Bolsonaro “ameaça” ganhar a eleição

O “mito”, como seus seguidores o denominam, segue firme nas primeiras posições das pesquisas de intenção de voto na pré-campanha e os adversários, mesmo que não admitam de público, desconfiam que ele já é dono de um lugar no 2º turno

Deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) | Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Jair Messias Bolsonaro, deputado federal no sétimo mandato, será o próximo presidente do Brasil?

Não há como responder à pergunta de forma categórica, seja positiva ou negativamente. Faltam quase sete meses para o primeiro turno (7 de outubro) e a campanha propriamente dita, com propaganda eleitoral no rádio e na TV, só começa em 31 de agosto. Mas, há uma certeza: o sim se tornou altamente possível.

No início, se dizia que a presença de Bolsonaro como vice-líder nas pesquisas, atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se devia justamente ao fato de ser ele, Bolsonaro, o antípoda do petista, configurando polarização. E que, saindo Lula, Bolsonaro se esvaziaria. O problema para essa tese, sempre dita com ares de rigor científico por analistas políticos, é a persistência do deputado na dianteira dos levantamentos, em diversos cenários ensaiados pelos institutos de pesquisas.

A percepção a partir desse fato é que o “mito”, como seus milhares de seguidores nas redes sociais o chamam, ganhou consistência como opção para o eleitorado brasileiro.

Na terça-feira, 13, o Instituto Paraná divulgou uma pesquisa que atesta essa consistência. Em São Paulo, Bolsonaro já está batendo os dois adversários mais fortes naquele colégio eleitoral, o governador tucano Geraldo Alckmin e o ex-presidente petista Lula, que tem ali seu berço político. O levantamento simulou três cenários, dois sem Lula, mas com outros petistas (Fernando Haddad e Jaques Wagner). O capitão da reserva lidera nos três.

Os números na simulação que estabelece o confronto direto com o petista: Jair Bolsonaro 22,3%; Geraldo Alckmin 20,1%; Lula 19,7%; Marina Silva 8,8%; Ciro Gomes 5,3%; Álvaro Dias 3,6%; Rodrigo Maia 1,1%; Henrique Meirelles 1%; Fernando Collor 0,8%; João Amoêdo 0,7%; Manuela Dávilla 0,5%; Guilherme Boulos 0,4%; Levy Fidelix 0,4%.

O levantamento é restrito a São Paulo, é verdade, mas é signficativo, por se tratar do maior colégio eleitoral do País. A conclusão, queira ou não, é que o militar na reserva vem crescendo, independentemente da presença de Lula ou não nas pesquisas. O tal contraponto personalístico entre o petista e o recém-filiado ao Partido So­cial Li­beral (PSL), num quadro em que a ausência de Lula esvaziaria Bolsonaro, parece não estar se confirmando. Para os adversários é sinal de preocupação. Neste momento, um lugar no segundo turno parece estar esperando Jair Bolsonaro.

Má-vontade
Diante disso, um fenômeno é perceptível: há uma evidente má-vontade dos grandes veículos, como a revista ‘Veja” e os jornais “Folha de S.Paulo” e “Estadão”, a TV Globo (esta mais fria) sobre o militar da reserva. A má-vontade vai desde o boicote na cobertura dos vários factoides produzidos pelo pré-candidato à liberação de espaço para quem se disponha a criticá-lo. A não ser que seja uma frase desastrada — no que Bolsonaro é pródigo, desde homofóbicas a sexistas e preconceituosa —, aí, sim, ganha manchetes com destaque. E mesmo quando não fala, como no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro, se isso puder ser explorado negativamenre para o pré-candidato, a imprensa destaca, como de fato destacou.

Não é por acaso que Jair Bolsonaro in­veste contra a imprensa, às vezes até com certa razão. No final do ano passado, por exemplo, ele disse: “O pessoal está meio desesperado, né? Foram duas capas da Veja. O Globo também vem sistematicamente dando espaço para o pessoal me atacar de tudo quanto é forma. A IstoÉ agora foi ridícula. Pega meias verdades na questão da Maria do Rosário, [diz] que eu ofendo minorias, mulheres, é o absurdo do absurdo. A verdade é que grande parte da mídia brasileira faz parte do sistema. E está tudo junto. Não são só partidos. São facções, grupos criminosos, a proteção dos corruptos, decisões judiciais.”

A imprensa deve sim escrutinar a vida de um pré-candidato, principalmente um que esteja nas primeiras posições. Sobre isso, um trecho de editorial da “Folha”, publicado em janeiro: “Bolsonaro é depositário legítimo das intenções de voto de cerca de um quinto dos brasileiros, o que o torna, em contrapartida, motivo de amplo debate e inquirição.

O público tem o direito de saber que ele e seus filhos amealharam patrimônio imobiliário de ao menos R$ 15 milhões, tenha havido ou não ilícito no enriquecimento ao longo de três décadas.

Ou que sua migração do PSC para o PSL provocou a fuga do pequeno grupo de liberais que se aglutinava em seu futuro partido.

Propostas e afirmações desastradas, que o pré-candidato gostaria de deixar no passado, serão novamente trazidas à tona. Um programa de governo será cobrado e confrontado com a realidade.

Nada disso constitui perseguição. Trata-se de processo – falho, nem sempre justo, mas essencial – ao qual devem se submeter todos os postulantes a cargos eletivos.”

Perfeito, o editorial. Mas aí se pode fazer a comparação. Toda e qualquer declaração de Lula da Silva ganha amplo espaço na imprensa. Qualquer platitude lulista vira manchete: “Lula disse isso, Lula disse aquilo”, numa conotação afirmativa, sem contestação por parte do veículo. Como se a frase não fosse dita por um político criminoso condenado em segunda instância que, pela Lei da Ficha Limpa, não poderá disputar a eleição de outubro.

Além disso, nem de longe se escrutina a vida de Lula como se faz com Jair Bolsonaro. Há uma flagrante desigualdade de tratamento nesse aspecto.

O problema (para os adversários) é que Bolsonaro é o político brasileiro que mais potencializa o uso das redes sociais. Levanta­mento do instituto de pesquisa Mapa e da empresa de inteligência digital MrPredictions mostrou que dos possíveis candidatos à Presi­dência neste ano, ele é o que reúne mais pessoas em suas redes, com 6,7 milhões de seguidores. Para comparação, em seguida vêm João Dória, com 4,4 milhões; Marina Silva, com 4,1 milhões; e Lula, o quarto lugar, com 3,3 milhões, menos da metade do “mito”.

Bolsonaro usa as redes sociais para propagar seus eventos, repercutir suas falas, se defender de acusações, acusar adversários, prescindindo até certo ponto da imprensa formal. E parece que isso tem funcionado, pois um fenômeno curioso está acontecendo, o que é verificado nas pesquisas: quanto mais batem em Bolsonaro, mais ele cresce.

Pode não ganhar a eleição, mas vai dar um trabalho!

Economista renomado prepara plano de governo

De todos os pré-candidatos à Presidência, Jair Bolsonaro é talvez o mais adiantado em termos de desenho de plano de governo, cujo mentor é o economista Paulo Guedes. Com PhD pela Universidade de Chicago (ninho do pensamento liberal econômico), um dos fundadores do banco Pactual e do grupo financeiro BR Investimentos, e com larga atuação na academia, Guedes será o futuro ministro da Fazenda se capitão da reserva se eleger.

Na quinta-feira, noticiou-se que Bolsonaro deverá se encontrar com Guedes nos próximos dias. Na pauta, a descentralização de recursos arrecadados pela União, assunto que é defendido pelo economista. E a ideia é reforçar tanto responsabilidades quanto o orçamento de prefeituras e governos estaduais, no caso do futuro hipotético governo Bolsonaro. Ou seja, tanto o pré-candidato quanto o economista estão levando muito a sério a possibilidade de assumirem o comando do País.

No mês passado, Paulo Guedes pincelou o que será o plano que prepara para o pré-candidato. Segundo ele, constará um amplo programa de concessões e privatização de estatais capaz de arrecadar R$ 700 bilhões. O objetivo é que a venda de ativos da União reduza em cerca de 20% a dívida pública federal, atualmente, em torno de R$ 3,5 trilhões.

Principais pontos no plano de governo que Jair Bolsonaro deve apresentar para sua campanha

1- Reforma Política: adoção de cláusula de votação em bloco, conforme programa de cada partido, para garantir a governabilidade.

2- Reforma Fiscal: Corte efetivo de gastos, para viabilizar a queda estrutural dos juros e das despesas de rolagem da dívida pública.

3- Previdência: Realiza­ção/am­pliação da reforma do atual sistema previdenciário e criação de sistema de capitalização, com contas individuais, para novos participantes.

4-  Benefícios: Corte de privilégios do funcionalismo e fim de isenções fiscais e de empréstimos subsidiados concedidos por bancos públicos para grandes empresas.

5- Reforma administrativa: Redução do número de ministérios, para modernização e racionalização da máquina pública.

6- Federalismo: Fortalecimento da federação, com descentralização de recursos e atribuições do governo federal para os Estados e os municípios, com o objetivo de aumentar a eficiência de políticas públicas.

7- Banco Central: Indepen­dência de gestão e mandato de quatro anos para a diretoria não coincidente com o mandato do presidente da república.

8- Desestatização: Privatização de estatais e concessões de serviços públicos, com uso dos recursos para reduzir dívida pública.

9- Reforma tributária: Simplificação do sistema com redução de alíquotas e ampliação de base de tributação.

6
Deixe um comentário

6 Comment threads
0 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
6 Comment authors
Jorge

Se deixar a corrupção em patamar a nivel quase zero e dar condições de segurança ao povo para trabalhar e reorganizar a segurança ele já fez o que ai estiveram e não fizeram.

Cirlei

É isso mesmo!
não queremos mais do mesmo, ou o Brasil muda com Bolsonaro ou permanece a ameba de país se apresenta.

Bruno

Caso essas metas sejam cumpridas economicamente o pais entra nos eixos, mas para mudar a questão cultural, ou a falta de educação tem que reformular os planos de ensino primário, fundamental, e do ensino médio.

DI a Oliveira

Bolsonaro e o único pre-candidato com uma vida pública, com moral suficiente para que o brasileiro acredite em suas proposta, que vem de encontro as necessidades da nação

Ivan

Bolsonaro 2018, chega desta corja de sempre que nada fazem pela nação e só roubam a sociedade.

Camila

Essa matéria resumiu todo o meu pensamento. Infelizmente, é muito difícil a gente declarar p as pessoas que votamos nele. Extremamente, na verdade, pq logo nos olham e dizem que somos homofobicos/racistas etc. Todavia, não possuo nenhum desses pensamentos, apenas acho que, diante do atual contexto, o Bolsonoro é sim a melhor saída. Reforço ainda que muitas pessoas vivem a minha mesma realidade diante do medo de declarar esse voto nessas eleições.