Marcos Aurélio Silva
Marcos Aurélio Silva

Avanço da vacina nos traz os eventos de volta

Setor que foi o primeiro a ser afetado pela pandemia, agora começa sua retomada

A pandemia tirou do brasileiro muitas vidas, exterminou empregos e negócios, distanciou pessoas e limitou as relações. Desde que a doença chegou ao Brasil já se sabia que a única saída possível era a imunização de pelo menos dois terços da população. E enquanto aguardávamos ansiosos pela vacina, assistimos os mais diversos impactos da Covid-19. Já se vão 17 meses em que pouco se alterou no cenário pandêmico, porém assistimos agora ao ensaio para retomada dos eventos públicos – algo muito simbólico, pois representa alguma sinalização de alguma segurança para a volta da convivência social.

Embora a pandemia continue sendo motivo de preocupação e exija os cuidados diários de toda a população, o avanço da vacinação traz otimismo e também expectativa. O setor de eventos foi o primeiro a suspender as atividades, em março do ano passado, e sempre foi afirmado e reafirmado que seria o último a poder voltar com suas atividades em 100%. O setor foi um dos mais afetados pela doença, já que, na maioria das vezes, eventos culturais, esportivos e comerciais dependem de aglomerações em espaços fechados, estendidas por longas horas. É fato. Mas já há um ensaio para a retomada.

Senti um alento ao saber do anúncio do governo de Goiás, de que iria realizar um evento-teste – 4ª Live Cultural Solidária, que aconteceu no último sábado, 17. Além da transmissão ao vivo para o público de casa,  outras 360 pessoas foram assistir ao show presencialmente, ocupando 50% da capacidade do Teatro Goiânia. Os convidados foram  pessoas que receberam ao menos a primeira dose da vacina contra a Covid-19, além de ter que apresentar teste negativo para Covid-19 feito nas últimas 48 horas anteriores ao evento.

De maneira bem animada o secretário de Estado de Cultura, César Moura, relatou que o objetivo dos eventos-testes é começar a treinar as equipes para a reabertura parcial dos espaços culturais do Estado, pois com o avanço da vacinação, a reabertura será possível com maior segurança.

Com a meta de vacinar toda a população brasileira, com as duas doses, até o fim deste ano, a expectativa pelos grandes eventos fica para o próximo ano. Que a saudade que todos estamos de viver momentos de integração, de celebração e festa possa compensar parte das perdas econômicas que empresários, promotores de eventos, músicos, decoradores e tantos outros profissionais estão tendo em função da pandemia.

Não é uma liberação, pura e simples, de realização de eventos, mas de atividades-piloto, com rigoroso acompanhamento, para monitorar resultados. Um ponto-chave do experimento é a testagem: o público deverá se submeter a um teste prévio – só serão liberados os que derem negativo – e outro teste posterior para monitorar a saúde de cada um dos participantes dos testes. 

É importante lembrar que a testagem em massa só é possível agora pelo barateamento do teste de antígeno, que apresenta resultado rápido –  alguns em 15 minutos. Com esse teste, é viável realizar a experiência e, o melhor, ter informações conclusivas após a realização dos eventos.

Se ficar comprovada a segurança de se realizar eventos, sem maiores riscos de contaminação, a tendência é que haja uma liberação mais ampla, o que pode resultar na sonhada retomada para milhares de empresas e profissionais que dependem da atividade para se manter.

Em alguns lugares, os vacinados têm acesso a eventos culturais e esportivos sem a necessidade de distanciamento. Os não vacinados também têm acesso, só que numa área de maior controle, com distanciamento preservado.

O teste, antes e depois, foi uma prática adotada em alguns países, como forma de se certificar da segurança em liberar eventos. O que gera alento é ver iniciativas desse tipo, independentemente da atitude errática de quem deveria liderar nacionalmente o combate à pandemia. 

Sinto agora, como se o Brasil estivesse mais próximo de outros países do mundo que já retomaram a realização de eventos diante do avanço da vacinação e da queda no número de casos e mortes. Os EUA são exemplo. Estão usando as vacinas Pfizer, Moderna e Janssen, que têm dados apontando a capacidade delas em barrar a transmissão do vírus caso uma pessoa imunizada seja contaminada.

Saber que o Brasil e Goiás já começam a realizar testes para retomada de eventos é como uma luz no fim do túnel. Depois de tantos erros que consumiam nossas esperanças e nos empurravam para um um cenário escuro e sem perspectivas, agora podemos sentir que estamos dando passos importantes para colocar fim à pandemia em nosso país, e o retorno de shows, festas, teatro, cinema e tudo que representa a vivência entre pessoas é simbólico. Essa possibilidade de uma nova abertura é possível porque há evidências da queda de ocupação de leitos de UTI, da redução na transmissão e mortalidade, e principalmente avanço da vacina. São essas doses que vão nos devolver a aproximação social. 

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