Marcos Aurélio Silva
Marcos Aurélio Silva

Alegria de jovens no “rolezinho” da vacina é contagiante

Público de 18 e 19 anos tem uma adesão alegre a campanha de vacinação e serve como estímulo a quem ainda recusa as doses

Desde que os governos municipais baixaram as idades do público alvo para vacinação contra covid, chegando a faixa dos jovens de 18 e 19 anos, as filas para receber as doses ficaram mais animadas. É contagiante ver a alegria e a festa em comemoração a esse momento tão esperado. Aqueles mesmos que se aglomeravam em festas clandestinas agora parecem ter entendido aquele constante conselho repetido por pais. “Cria juízo!”

Tem de tudo um pouco: Há aqueles que prestam homenagens. Muitos perderam avós, pais e familiares próximos antes de terem a chance de receber suas doses. Mas há também buzinaço, samba, funk, dancinhas para o tick tock e desfiles com cartazes que exaltam o SUS estão entre as manifestações mais recorrentes –  é o chamado “rolezinho” da vacina. Todas animadoras, pois demonstram o quanto o grupo está de fato motivado e feliz agora que chegou a sua vez. 

Se para as gerações que já foram vacinadas a Covid provocou perdas incalculáveis, para as crianças e adolescentes brasileiros isso tudo também se deu de maneira mais acentuada. Eles foram apanhados por uma pandemia que tem causado danos que custarão a ser revertidos – não só em suas formações escolares, que são a perda mais evidente, mas em termos de formação de suas personalidades.

O avanço da vacinação contra Covi-19 é um o caminho mais importante para o enfrentamento da pandemia. Mas para ser efetivado é necessário a adesão massiva. E com os jovens esse não será um problema. Além das demonstrações nas filas de vacinação, um projeto da Youth Vaccine Trust também confirma a crença que os jovens têm na vacina.

Entre novembro de 2020 e janeiro de 2021, foi aplicado um questionário para jovens de vários países do mundo, incluindo o Brasil. A pergunta central da pesquisa foi “O que leva uma pessoa a tomar a decisão de se vacinar?” e contou com uma análise de mais de 9 mil respostas de participantes entre 18 e 30 anos, de 78 países.

O relatório tem como objetivo identificar e explicar tendências globais e regionais na confiança em vacinas para jovens e incluem ações recomendadas para lidar com a hesitação e a desconfiança desse grupo.

No estudo, 75% dos jovens responderam que acreditam na vacina. Em países da América, o número chegou a 92%, com 85% dos participantes afirmando que provavelmente tomariam a vacina.

A pesquisa mostrou que os jovens querem se vacinar tanto pela proteção individual e coletiva quanto pela norma social, já que pessoas próximas também estão se vacinando.

É importante analisar essa adesão jovem a vacina  também para além da saúde. Esse é um grupo economicamente ativo. Sua proteção é também importante para voltar ao trabalho. O mercado espera essa faixa etária para produzir e consumir. Não há dúvidas que a retomada econômica passa pela imunização e políticas públicas voltadas a este grupo. 

Há também um fator importante: a volta às aulas. Imunizar os jovens em um momento em que a educação reabre as salas de aulas é primordial. É preciso dar condições para que os jovens voltem às escolas e universidades –  e assim iniciam o processo de recuperação do tempo perdido.

Esse engajamento dos jovens à vacinação é também entendido pelo fato deste ser o único meio que lhes vai permitir a ter vivências e experiências sociais próximas daquelas vividas por gerações passadas. A imunização vai minimizar as incertezas sobre a interrupção de aulas, de novos decretos que forçam o isolamento social e mesmo das notícias constantes de perdas de familiares para Covid. 

O que torço é que a empolgação notada nas filas de vacinação não se siga de algum tipo de desleixo com as medidas sanitárias. Está muito claro, que mesmo entre aqueles que já possuem a imunização completa, a ciência demonstra que é preciso seguir com os cuidados básicos – uso de máscaras, higienização e o distanciamento seguro. Esse alerta feito pelos cientistas tem um motivo com nome já reconhecido: variante Delta. Tenho fé que no Brasil, se depender da vontade demonstrada pelos novinhos, a ciência derrotará o negacionismo. A alegria dos jovens ao se vacinar é contagiante –  mais até do que a Covid.

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