Marcos Aurélio Silva
Marcos Aurélio Silva

A relevância dos indecisos

Numa eleição tão atípica quanto está, os candidatos não podem apostar em velhas fórmulas. Exemplo disso é a manutenção do alto percentual de indecisos em Goiânia

Há 20 dias do primeiro turno das eleições municipais, os candidatos à Prefeitura de Goiânia precisam voltar suas estratégias com mais afinco para os eleitores que ainda não se decidiram, ou que se mostram à vontade em mudar sua escolha. Falar da importância de identificar o que eles querem e conquistá-los surge como lugar-comum, mas são pontos que podem definir o resultado da disputa na capital. 

Um recorte da última pesquisa Grupom, divulgada no dia 19, mostra que 23,9% dos eleitores podem votar em qualquer um dos candidatos. A relevância dessa indecisão é tão significativa que seria capaz de colocar a última colocada das pesquisas (Manu Jacob, do Psol, que tem 1,3% das intenções) no segundo turno das eleições municipais. 

Qualquer um dos candidatos ao Paço que olhe para esse abundante número de eleitores que ainda não se definiu, terá uma avaliação de que é preciso um trabalho de convencimento. Mas esse é um pleito atípico, diferente de tudo que já se viu até aqui. Repetir receitas e fórmulas para conquistar o eleitorado não é o caminho indicado.

O eleitor tem alguns motivos principais para estar indeciso. Geralmente a motivação é mesmo a dúvida entre candidatos, mas passa também por incerteza ou desconhecimento sobre propostas. Também podemos somar a esse grupo os que estão indiferentes à política e que não encontraram nenhuma razão nos discursos dos candidatos, por isso ainda seguem com voto indefinido – estes acabam deixando de ir às urnas, ou até votam, mas influenciado de última hora pela indicação ou opinião de alguém próximo. 

Precisamos pontuar que poderá ocorrer a maior abstenção da história da democracia brasileira – motivada pela crise sanitária do coronavírus. Mas há outros fatores extraordinários: fazer campanha sem aglomeração, nada de exposição ou o chamado corpo a corpo, e o distanciamento, que se torna barreira para divulgar planos e conteúdos para gestão. Temos também as mudanças nas datas as eleições e os impactos econômicos e sociais da pandemia. Junte-se a isso a descrença na política que tem sido observada de maneira mais acentuada à cada eleição. Assim temos um ambiente bem confuso e propício à indecisão do eleitorado.

Esse ambiente desordenado no qual a eleição municipal se dará é bem retratado em outro ponto da pesquisa Grupom: em Goiânia apenas 14,3% dos eleitores estão firmes na escolha de seu candidato a prefeito. Outros 65% dos entrevistados possuem um segundo nome que pode passar a ser o escolhido na urna. Ou seja, além de tentar conquistar os indecisos, os candidatos precisam reforçar seus nomes como preferência entre seus eleitores, para evitar que “migrem” para outro projeto eleitoral.

O desenho que as pesquisas revelam aos candidatos que desejam substituir Iris Rezende (MDB) no Paço, é de que ainda há bastante volatilidade eleitoral, e a definição parte do convencimento de indecisos, mas mora também na conversão de eleitores entre candidatos.

Propaganda ainda não surtiu efeito

O horário eleitoral no rádio e na TV começou no dia 9 de outubro. A expectativa de candidatos, coordenadores de campanha e analistas era de que a indecisão poderia se arrefecer a partir do início da propaganda eleitoral. O que claramente não ocorreu.

No mesmo dia em que os candidatos estrearam com suas campanhas no rádio e na TV o Grupom divulgou uma pesquisa apontando que 11,7% do eleitorado goianiense tinha se definido por um candidato e não mudariam sua escolha. Dez dias seguidos de exposição na mídia garantiu que esse percentual subisse menos de 3%.

Os candidatos ainda apostam no horário eleitoral obrigatório como meio de se firmar como escolha entre os eleitores indecisos. A campanha no rádio e TV pode de fato alterar o atual cenário, mesmo que seja para forçar um voto de protesto, o eleitor para impedir que um candidato que não goste chegue ao segundo turno pode escolher um adversário.

Efeito das pesquisas

Assim como a campanha no rádio e na TV, a divulgação de pesquisas é estratégica e fundamental na reta final da campanha eleitoral, ainda mais quando há tantos indecisos. O resultado da pesquisa faz parte de um conjunto de informações que o eleitor usa a fim de decidir.

As pesquisas também reforçam uma característica do eleitorado brasileiro: votar em quem está ganhando. Com as proximidades do primeiro turno, as pesquisas podem ter forte influência na definição de candidatos por parte do eleitorado ainda indeciso.

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