Marcos Aurélio Silva
Marcos Aurélio Silva

A pré-campanha presidencial chega a Goiás

Agenda de presidenciáveis no estado pode ser uma oportunidade para modular discursos de campanha

Um desafio que há na política nacional é determinar quando uma campanha ou pré-campanha de fato começou. O motivo: quem é político sempre está em campanha, se não para si, para aliados. Os movimentos que antecedem as eleições do dia 2 de outubro deste ano começaram tão loco foi encerrada a contagem dos votos em 2018, que elegeu Jair Bolsonaro (PL). Tanto situação quanto oposição já buscaram projetar o cenário eleitoral futuro e então estudar estratégias. 

Há seis meses da data em que o eleitor brasileiro vai às urnas para escolher seus candidatos no primeiro turno, é natural que a pré-campanha se aqueça, afinal, as decisões se afunilam, as articulações avançam e o cenário fica mais nítido – tando para políticos como para eleitores. 

As estratégias políticas estão se adequando ao avanço das composições partidárias e anseios da população. As pesquisas eleitorais feitas até aqui foram o termômetro para uma campanha feita sobre resquícios de uma pandemia global, guerra no leste europeu, crise econômica e social. Os números dos levantamentos divulgados pelos mais diversos institutos de pesquisas já dão o tom dos discursos pré-candidatos, trazem o mapa com a intensão de votos e quais métodos podem ser usados para conquistar votos de adversários ou daqueles eleitores que ainda não se decidiram. 

Além dos discursos, entrevistas e declarações em redes sociais, uma sequência de eventos já compõe as agendas dos pré-candidatos a presidência. Uma forma de acelerar pré-campanha com vistas a galvanizar a atenção do eleitor.

Uma consulta ao calendário eleitoral disponibilizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), se verifica que, seguindo as leis, a campanha só deve começa no mês de agosto. Mas, como já foi alertado, no Brasil não é possível distinguir o fim e iniciou de outra campanha. Nesta fase os candidatos trabalham para testar sua popularidade, estimular alianças e equalizar o tom dos discursos. 

Goiás entrou no circuito do presidenciáveis ainda durante a pré-campanha. Em oito dias, o estado teve a presenta de Jair Bolsonaro e João Doria (PSDB). O presidente esteve em Rio Verde, fez uma curta motociata e falou para ruralistas da região. Já o ex-prefeito de São Paulo tinha uma visita marcada a Trindade e Goiânia. A ideia era marcar presença junto a correlegionários, mas devido a problemas de saúde do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) o evento foi desmarcado –  deve ocorrer em maio. Ainda há uma perspectiva de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula (PT) visite o estado antes de julho. Ciro Gomes (PDT) também é aguardado para um evento partidário em junho.

Esses eventos e suas presenças junto ao eleitorado goiano é natural. Afinal estão em pré-campanha, a tendência é que a agenda se estenda a todos os estados, para se fazer presente e manter aquecido a perspectiva de candidatura ao Palácio do Planalto. Claro que a tendência é que o candidato busque se fortalecer entre eleitores de estados em que as pesquisas demonstram baixa adesão ao seu nome, ou a reforçar agendas em regiões que concentram a maior parcela do eleitoral – sudeste e nordeste. 

Mas há outra ótica que é preciso observar. Quem cresce hoje nas pesquisas é Jair Bolsonaro. Em uma disputa que será certamente polarizada entre o presidente e o Lula. O petista que chegou a ter 20% de vantagem nas pesquisas, agora aparece em alguns levantamentos com diferença de 10% a Bolsonaro. 

Em 2018, 65% do eleitor Goiano votou em Bolsonaro no segundo turno – quando ele enfrentava Fernando Haddad (PT). O percentual colocou o estado entre os mais bolsonaristas do país. Isso em razão, principalmente, dos acenos que o presidente fez ao setor agropecuário – base econômica do Estado. Entretanto, em uma pesquisa encomendada pela Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Goiás (Acieg), realizada pelo Instituto Serpes, de 21 a 24 de janeiro deste ano, Lula liderava-  na estimulada Lula obteve 40% e Bolsonaro 27,8%. 

Esse resultado acendeu o alerta para bolsonaristas. Representantes do presidente em terras goianas, que até então se sentiam confortáveis, precisaram se movimentar e traçar estratégias para resgatar esse eleitorado. A pesquisa também estimulou a esquerda. PT confirmou que estará em uma chapa para disputar o governo em Goiás e já se alinha ao PSB e PSDB para essa composição, sabendo que há um grande eleitorado que pode se alinhar ao projeto de Lula em Goiás. E aqueles que se julga o nome da terceira via, como o caso de João Doria, também vislumbram que o eleitor goiano tem disposição em mudar sua intensão de voto e pode ajudar a alavancar sua candidatura – que enfrenta muitas resistências internas e de aliados. Goiás pode ser visto como um cenário interessante para aqueles pré-candidatos que precisam modular o discurso. 

Outro fator interessante aos os pré-candidatos é que, em razão do agronegócio, a economia goiana tende a crescer mais do que estados que tem o setor de Serviços ou Industria como principal atividade – Goiás pode deve ter um PIB maior do que o registrado nacionalmente. Como a economia já é considerado o tema de maior relevância para a campanha deste ano, é conveniente aos pré-candidatos alinhar os discursos e projetos econômicos com seus correlegionários e apoiadores na região. 

Os votos dos goianos, embora o estado não esteja entre os que mais concentrem eleitores, tem seu peso, principalmente nesta fase em que os pré-candidatos ainda buscam se viabilizar e acertar os rumos da campanha. A posições tomadas em Goiás, podem ajudar candidatos, independentes da ala ideológica, na tomada de decisões e ser um termômetro para campanha – que já transcorre há tempos, mas que agora se intensifica.

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