Marcelo Mariano
Marcelo Mariano

5 questões para ficar de olho no mundo em 2019

Brasil estará diretamente envolvido em pelo menos uma das situações

Fotos: Reprodução

O ano de 2018 começou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, trocando ameaças e disputando quem tem o botão nuclear maior.

Poucos meses depois, Kim Jong-un apertou a mão de Donald Trump na Singapura e pisou na Coreia do Sul ao lado do presidente do país vizinho, Moon Jae-in. Mas o processo de desnuclearização da Coreia do Norte não avançou como o esperado e está longe de ser concluído.

Ainda não se sabe como 2019 começará no cenário internacional — e, mais do que isso, como terminará. Contudo, há cinco questões que merecem atenção — desde a saída do Reino Unido da União Europeia até a guerra do Iêmen.

O Brasil, que não tem tido protagonismo no mundo nos últimos anos, estará envolvido em pelo menos uma dessas situações — se será para o bem ou para o mal, é preciso pagar para ver. De qualquer forma, vale a pena ficar de olho. Confira abaixo:

1. Brexit

A primeira-ministra britânica, Theresa May, negociou um acordo de saída do Reino Unido da União Europeia — o chamado Brexit — com líderes europeus, mas sofreu grande resistência internamente.

O acordo, que deveria ter sido votado no parlamento britânico em dezembro, foi retirado de pauta pela primeira-ministra com medo de derrota. A votação, agora, está prevista para ocorrer na primeira quinzena de janeiro. Dependendo o resultado, há chance, inclusive, de Theresa May renunciar ao cargo.

A única certeza é que o prazo final para que o Brexit aconteça está cada vez mais próximo. De 29 de março não passa. E, sem um acordo ratificado pelo parlamento britânico, o Reino Unido estará em maus lençóis.

A União Europeia passará, ainda, por outros testes. As eleições para o parlamento europeu estão marcadas para o final de maio e há a possibilidade de um número expressivo de parlamentares contra o bloco europeu serem eleitos.

O crescimento do euroceticismo e do populismo de extrema-direita ameaçam a unidade do continente e, em alguns casos, até mesmo a democracia, como na Hungria do primeiro-ministro Viktor Orbán, que não para de concentrar poderes em suas mãos.

2. Donald Trump

Do outro lado do Atlântico, Donald Trump enfrentará a mais dura oposição em Washington desde que assumiu o mandato, apesar de os republicanos terem ampliado o número de cadeiras no Senado em relação aos democratas nas eleições de meio de mandato, que foram realizadas em novembro deste ano.

A questão é que, a partir de 2019, o Partido Democrata terá maioria na Câmara dos Representantes — o equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil — e promete dificultar a vida do presidente americano.

Donald Trump disse estar aberto ao diálogo, mas deu a entender que colocará a culpa na oposição democrata por tudo que der errado em seu governo de agora em diante.

O ano que vem também marcará as articulaçõess para as primárias, que definirão os candidatos a presidente nas eleições de 2020. Do lado republicano, Donald Trump é o favorito, mas seu eventual adversário do Partido Democrata ainda é incerto.

3. Guerra comercial

Os Estados Unidos claramente querem frear o crescimento econômico chinês e a consequente influência do país asiático pelo mundo. Ao invés de guerras convencionais, a alternativa encontrada pelos americanos foi aumentar tarifas de produtos importados da China, que revidou à altura e, com isso, criou-se uma guerra comercial.

Na cúpula do G20 — grupo formado pelas 19 maiores economias do mundo e a União Europeia —, realizada em dezembro, na Argentina, americanos e chineses haviam chegado a uma negociação que poderia ser o início do esfriamento das tensões, mas a prisão de Meng Wanzhou, executiva chinesa da gigante de telecomunicações Huawei, acirrou os ânimos novamente.

Estados Unidos e China devem se reunir em janeiro para novas negociações. E o Brasil tem que ficar de olho, uma vez que a guerra comercial pode gerar oportunidades para os mercados brasileiros, que competem com os americanos em algumas linhas de produtos exportados para os chineses.

4. Brics

Em 2019, o Brasil assume a presidência rotativa dos Brics — acrônimo para o grupo de cooperação formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — e sediará a cúpula anual da organização.

O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL), e o futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, não demonstram muita empolgação com os Brics. Pelo contrário, há uma clara tentativa de estreitamento das relações com os Estados Unidos.

Os Brics possuem um banco de desenvolvimento próprio que visa contrapor o modelo do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. Em outras palavras, tudo o que os americanos não querem. Será, portanto, no mínimo interessante notar o andamento da cúpula do grupo sob a liderança de Jair Bolsonaro no ano que vem.

5. Oriente Médio

Outro assunto delicado em que o Brasil pode se envolver é a transferência da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Afinal, Jair Bolsonaro quer estar mais próximo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que, aliás, estará presente na posse do futuro presidente brasileiro.

Uma eventual transferência da embaixada pode agravar as tensões entre Israel e Palestina, gerando um problema desnecessário para o Brasil, que sempre seguiu as orientações da Organização das Nações Unidas (ONU) e adotou a política de dois Estados.

Ainda no Oriente Médio, vale a pena ficar de olho nas disputas regionais entre Arábia Saudita e Irã potencializadas pelos Estados Unidos, que abandonaram o acordo nuclear iraniano em 2018 e adotaram sanções contra o país persa ao mesmo tempo que blindam os sauditas, acusados de matar o jornalista Jamal Khashoggi, além de cometerem atrocidades no Iêmen e difundirem o wahhabismo, uma ideologia ultraconservadora do islamismo sunita, mundo afora.

A propósito, a guerra do Iêmen, que, segundo a ONU, já é considerada a maior crise humanitária da atualidade, dificilmente acabará em 2019, mesmo após as recentes rodadas de negociações de paz.

Enquanto isso, a retira das tropas americanas da Síria dão mais um indício de que o conflito está próximo do fim. Bashar al-Assad, Irã e a Rússia de Vladimir Putin serão os grandes vitoriosos. Estados Unidos e países do Golfo Pérsico — ou Arábico —, que armaram opositores, sairão enfraquecidos na região.

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Antonio Jose Sabino

Creio q o Brasil tem assuntos mais relevante por aqui mesmo
Em assuntos internacionais devemos mesmo e ficar de olho com o que vai acontecer na Venezuela e em Cuba, que assinou em baixo da falcatrua dos Mais Medicos, que deve ser investigada e com consequências não previsíveis
Temos também a abertura do caixa preta do BNDS envolvendo países comprometidos
Isso sim devemos ficar de olho
O resto é secundário e tem pouca interferência em nosso país