Cezar Santos
Cezar Santos

2016 com menos emoção sem Kajuru?

Radialista recusa ser vice de Iris e reafirma que é o nome de seu partido para a disputa em Goiânia

Radialista Jorge Kajuru diz que não aceita ser vice de Iris Rezende em 2016: “Não quero meio mandato” | Foto: divulgação/ vídeo Esporte Interativo

Radialista Jorge Kajuru diz que não aceita ser vice de Iris Rezende em 2016: “Não quero meio mandato” | Foto: divulgação/ vídeo Esporte Interativo

Falta quase um ano e meio para a definição oficial dos candidatos no pleito municipal de 2016. Mas em Goiânia a disputa já está esquentando. Assim que os votos da eleição do ano passado foram contados, começaram as especulações sobre as candidaturas. Quem teve boa votação em Goiânia, mesmo não sendo eleito, ficou automaticamente viável.

E nem só candidatos eleitos e não eleitos entraram na lista especulativa que se formou de “pré-candidatos” à sucessão de Paulo Garcia. Listemos, sem nenhuma ordem, os nomes que foram “lançados” (com risco de esquecer alguém): Iris Rezende, Vanderlan Cardoso, Jayme Rincón, Delegado Waldir, Fábio Sousa, Delegada Adriana Accorsi, Humberto Aidar, Daniel Vilela, Giuseppe Vecci, Elias Vaz, Jorge Kajuru e Edward Madureira.

E mais recentemente, o deputado tucano José Vitti — há poucos dias ele anunciou que iria transferir seu domicílio eleitoral de Palmeiras para Goiânia com o objetivo de “colocar-se à disposição” de seu partido para a disputa na capital.

Uma lista grande, não há dúvida, considerando ainda que sempre aparece um ou outro nanico a entrar na disputa apenas para fazer nome e/ou barganhar cargo com o futuro vencedor.
O que se vai analisar em seguida é o “fator” Jorge Kajuru, um dos integrantes da lista de prefeitáveis. O radialista foi candidato a deputado federal no ano passado e não conseguiu se eleger, castigado pelo coeficiente eleitoral. Mas teve uma batelada de votos, mais de 106 mil eleitores, a maioria absoluta de Goiânia, cravaram seu número nas urnas.

A partir daí, Kajuru tornou-se candidato natural à prefeitura, numa articulação comandada diretamente pelo publicitário Jorcelino Braga, presidente o PRP. Estava certo que a disputa em 2016 teria o radialista. Um candidato competitivo, sem dúvida. Com sua verve e estilo histriônico, Kajuru candidato é garantia de uma campanha cheia de factoides, de promessas diferentes, ousadas no sentido positivo ou negativo, dependendo do ponto de vista.

Fato é que independentemente das qualidades ou defeitos que ele tenha, sua participação tornaria a campanha mais “interessante”, digamos. Pleito municipal é mais concentrado e se presta muito mais a candidatos bons de comunicação, como Kajuru.

Mas eis que o radialista anuncia o que pode ser uma desistência. Em entrevista à coluna Bastidores, na quinta-feira, 26, ele lembrou que há poucos dias conversou com o repórter Frederico Vitor, do Jornal Opção, e apresentou ideias para administrar a capital goiana. “No entanto, 15 minutos depois da entrevista, recebi um telefonema de Jorcelino Braga, presidente do PRP, que me disse que Iris Rezende me quer como vice dele. Ora, não voltei para Goiânia para ser candidato a vice de ninguém — nem de Iris nem de qualquer outro político.”

A nota registra que Kajuru pretendia ser candidato unindo as oposições — PRP, PSC, PSB, PMDB e PT. “O prefeito Paulo Garcia, na presença de seu secretário de Comunicação, Edmilson dos Santos, me disse que o PT não lançaria candidato a prefeito. Já Iris Rezende me disse que ele governaria um período e eu, outro. Ora, quero governar Goiânia por quatro anos, e não por dois anos.”

O radialista voltou a conversar com o repórter Frederico Vitor na seta-feira, 27, e refirmou que não será vice de “ninguém”. Mas afirmou que continua o nome de seu partido para a disputa na capital e que pode até fazer uma parceria com Iris.

Parece que pessoas fizeram compromissos — ou esboços de compromissos — com Kajuru. O problema é que não há compromisso que possa ser sustentado com tanto tempo de antecipação, em se tratando de política eleitoral.

Uma eleição não se encerra nela mesma. Mais do que isso, é alavanca para a eleição seguinte. O pleito do ano que vem é um turno antecipatório dos dois prováveis turnos de 2018 (é pouco provável definição na primeira fase). A continuar os números positivos de Iris Rezende nas primeiras pesquisas, dificilmente (ou impossivelmente) ele não será candidato a prefeito. Aliás, o decano peemedebista já está em franca campanha. E foi até lançado pelo aliado Ronaldo Caiado, isso ainda no ano passado, no calor da contagem dos votos.

Iris-Kajuru formariam uma chapa fortíssima. Mas o radialista não quer ser vice, não quer “herdar” um meio mandato, como, parece, lhe foi prometido. Mas, repita-se, ainda está muito cedo. Hoje o cenário é amplamente favorável a Iris. Mas amanhã poderá não sê-lo, por força de alguma circunstância imprevisível. E aí, aumentam as chances de Kajuru ser o candidato da aliança PRP, PSC, PSB, PMDB e PT.

Alguém aí falou de Vanderlan Cardoso?

Eleição de uma só vez para todos os cargos 

Deputado Marcelo Castro: “A reforma política agora tem condições de sair” | Foto: Marcos Kennedy/Alego

Deputado Marcelo Castro: “A reforma política agora tem condições de sair” | Foto: Marcos Kennedy/Alego

Os brasileiros vão às urnas de cinco em cinco anos para votar todos os cargos de uma vez, desde presidente da República até vereador. Isso pode tornar-se realidade em três ou sete anos (na eleição de 2018 ou na de 2022), segundo o relator do projeto que trata da reforma política na Câmara Federal, deputado Marcelo Castro (PMDB-PI). Ele falou do tema em Goiânia na sexta-feira, 27, em debate na Assembleia Legislativa, onde foi recepcionado pelo presidente da Casa, deputado Helio Sousa (DEM).

Marcelo Castro afirmou que há consenso na Câmara dos Deputados sobre a coincidência de eleições. Em vez de eleição a cada dois anos, a escolha de todos os cargos eletivos seria feita de cinco em cinco anos. Vantagens: menor custo e melhor desempenho dos mandatos.
Segundo ele, há no Congresso hoje consenso sobre eleição a cada cinco anos, mas ainda não em relação a quando a medida passaria a valer, se em 2018 ou 2022. “Os trabalhos da Comissão estão acelerados e acredito que podemos finalizar o relatório até maio.”

O relator discorreu sobre outras propostas na comissão especial da reforma política, como a criação de uma cláusula de desempenho individual para reforçar a representatividade dos eleitos. Ele lembrou que, hoje, o quociente eleitoral permite que um deputado muito bem votado consiga ajudar a eleger outro que não tenha representatividade. É o que muitos chamam de “efeito Tiririca”.

Essa cláusula exigirá que o candidato beneficiado pelo cálculo do quociente eleitoral tenha pelo menos 10% da quantidade de votos exigida para se eleger um candidato a cargo proporcional. Por exemplo, se o quociente em Goiás exige 180 mil votos para eleger um deputado federal, o candidato somente poderá ser beneficiado se tiver o mínimo de 18 mil votos.

O relator considera importante a criação de mecanismos que impeçam o abuso do poder econômico no processo eleitoral, permitindo que os princípios da oportunidade e igualdade sejam preservados. Hoje, é muito difícil que um candidato com poucos recursos consiga se eleger.

O deputado falou também que está em estudo a questão dos meios de financiamento de campanha, lembrando que a doação por pessoas jurídicas, hoje limitada a 2% do faturamento, ainda não foi totalmente julgada pelo STF — o ministro Gilmar Mendes pediu visto do processo, que está parado.

Castro tocou num ponto importante, lembrando que hoje há o entendimento de que o sistema político-eleitoral e partidário em vigência no país não atende à população. “A reeleição, por exemplo, é um equívoco que o Congresso cometeu no passado. A extinção das coligações proporcionais pode ser outra medida interessante a ser implementada.”

Mas, afinal, essa reforma política sai? A pergunta é pertinente, porque se sabe que há mais de 20 anos propostas dormitam nas gavetas do Congresso. Marcelo Castro disse que o momento político pelo qual o País passa é apropriado para concretizá-la. “Se não conseguirmos fazer a reforma dessa vez, com tantos recursos favoráveis, chegaremos à conclusão de que o Congresso não tem competência para isso.”

O piauiense lembrou que durante os seus cinco mandatos como deputado federal presenciou a criação de várias comissões que visavam a reforma política, mas nenhuma foi tão longe como agora. “Esta é a primeira tentativa que está sendo próspera, com todas as condições de ser concretizada.”

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