Cezar Santos
Cezar Santos

20 anos depois, o PSDB vai disputar?

Sim, garante Marconi Perillo. E Jayme Rincón é o nome do partido para a Prefeitura de Goiânia

Governador Marconi Perillo, na eleição do diretório metropolitano do PSDB: “É inegociável, vamos ter candidato à Prefeitura de Goiânia”; no detalhe, Jayme Rincón, o nome dos tucanos para a disputa

Governador Marconi Perillo, na eleição do diretório metropolitano do PSDB: “É inegociável, vamos ter candidato à Prefeitura de Goiânia”

Jayme Rincón, o nome dos tucanos para a disputa

Jayme Rincón, o nome dos tucanos para a disputa

No ano que vem, aos demais partidos que integram a aliança marconista caberá duas escolhas: aderir à candidatura do PSDB na disputa pelo Paço Municipal ou costurar um acordo com outras siglas para lançar um nome próprio que terá pouquíssima chance de chegar ao segundo turno. Simples assim.

A senha — mais do que senha, uma afirmação peremptório com todos os efes e erres — foi dada no domingo passado, quando o jovem Rafael Lousa foi eleito presidente do diretório metropolitano do partido.

Veja o leitor se cabe alguma dúvida na fala de Marconi: “A palavra para o próximo ano é inegociável. Os partidos da base que me des­culpem, mas a minha orientação é de que, no primeiro turno, nos­so partido terá, sim, candidato”.

E mais que palavras, Marconi prometeu ações para respaldá-las. “Nos próximos dias, nós iremos dar início a uma agenda positiva de inaugurações e obras para Goiânia. Mesmo com a crise que assola o Brasil, e também Goiás, nós continuaremos fazendo investimentos, anunciando e inaugurando obras”, disse.

Antes de compor a mesa no auditório Jaime Câmara para a eleição do metropolitano, Marconi convocou os cinco vereadores tucanos para uma reunião. O motivo do encontro foi reafirmar a importância de trabalhar as bases nos bairros, bem como afiançar aos parlamentares que dará prioridade à capital.

Entre os benefícios que serão entregues ainda em 2015, o governador lembrou o Hugo 2 (Hospital de Urgências Gover-nador Otávio Lage), as duplicações dos trechos Goiânia a Bela Vista, Goiânia a Senador Canedo, Goiânia a Mos­sâmedes — totalmente iluminadas, com acostamento e ciclovia —, bem como o Centro de Excelência do Esporte e complementação do Autó-dromo de Goiânia. “Obras que vão entrar para história da capital”, arrematou Marconi.
Isso é nada mais nada mesmo que uma plataforma de campanha, óbvio. Não, não ficam dúvidas de que é um cartel e tanto para respaldar uma candidatura. Mas, quem será o candidato dos tucanos?

Aí, também, não tem dúvida, esse nome já está definido nas cabeças dos tucanos emplumados. É Jayme Rincón, o articulado presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), justamente o órgão que dá mais visibilidade a quem saiba trabalhar.
Jayme Rincón não está em Goiânia. Ele está viajando já há alguns dias. Uma viagem de férias. Gente bem informada diz que, além do descanso, o sumiço servirá também para “dar um tapa no visual” — será alguma correção cirúrgica? Um lifting? Botox?

Só quando ele voltar das férias para saber. Se voltar “corrigido”, é a confirmação de que o homem será mesmo candidato no ano que vem. Na verdade, o nome do presidente da Agetop vem sendo ventilado há mais de um ano. Eminências tucanas sempre falaram isso.

Graças ao bom trabalho à frente o órgão público responsável pelas obras estaduais, e principalmente pela verve política em que se mostrou um craque, “ba­tendo” sem dó no prefeito petista Paulo Garcia, o nome de Jayme Rincón ganhou ressonância.

O pensamento tucano é que é esse o homem que reúne totais condições de brigar pela Pre­feitura de Goiânia, enfrentando Iris Rezende, desde sempre pré-candidato do PMDB a qualquer coisa, e que está liderando as pesquisas.

Como o pensamento geral é de que os goianienses querem um “gerente”, até pela falta de gerência que Goiânia vem sofrendo no tocante aos serviços básicos — atenção, há pesquisas que constataram essa percepção por parte da população —, os tucanos não têm dúvida de que Rincón é o nome certo: “Goiâ­nia voltará a ter o PSDB na Prefeitura”, dizem.

Ocorre que a base marconista é grande. É natural que reações de outras siglas surgissem, como surgiram, embora sejam mais para “constar”. O PTB, de Jovair Arantes — sempre o PTB, sempre Jovair Arantes —, foi o primeiro. Depois, com certa ênfase, o PSD do secretário Vilmar Rocha. Vilmar tem dito: nós temos nomes para 2016.

É verdade que o PSD reúne alguns bons quadros para o embate. Estão colocados como “pré-pré-candidatos”: os deputados estaduais Francisco Júnior, Virmondes Cruvinel e Lincoln Tejota, e o federal e secretário estadual de Planejamento, Thiago Peixoto. É uma turma boa, sem dúvida, mas qualquer um deles, sem o PSDB como aliado, terá pouca chance.

Fogo amigo

E até dentro do PSDB um muxoxo ou outro se levanta contra a unanimidade de Jayme Rincón no partido. O muxoxo mais estridente tem sido do deputado federal Delegado Waldir, que se acha no direito de ser o nome por causa da estrondosa votação que teve no ano passado, nada menos que 180 mil votos em Goiânia.

Numa síndrome de “prima-dona”, Waldir até fala em ir para outro partido, se não for “valorizado” no PSDB. Marconi foi claro quando disse que quem quiser sair, que saia agora. Waldir é um político pouco experiente, ainda atrelado ao conceito de política como resultado apenas de voluntarismo, mas deve ter entendido o recado.

Outro reforço de peso ao comandante da Agetop é do vice-governador José Eliton, que dia sim, dia sim também, tem afirmado: Jayme Rincón é o nosso candidato. Eliton tem sido um dos mais ativos articuladores políticos de Marconi e, se ele diz o que diz com tanta veemência, é fácil deduzir a razão.

A verdade é que “duela a quien duela”, o PSDB vai lançar nome próprio na disputa pela Prefeitura de Goiânia no ano que vem, o que não faz desde 1996, quando estará completando 20 anos na “fila”.

A oposição ao governo estadual detém o poder municipal há um bom tempo. Desde quando expirou o mandato do tucano Nion Albernaz, em 2001, ou seja, quase uma década e meia atrás, o PT e o PMDB vão se revezando na ocupação do Paço Municipal — por sinal, inaugurado pelo próprio Nion.

De lá para cá, nas quatro eleições, o PT ganhou duas (2000, com Pedro Wilson, e 2012, com Paulo Garcia) e o PMDB também duas (2004 e 2008, ambas com Iris Rezende).

Nas três últimas, o PMDB aliou-se ao PT, edificando o que deveria ser uma grande união para além da prefeitura. Mas o projeto gorou em 2014, quando o PT resolveu lançar uma candidatura camicase com Antônio Gomide ao governo estadual, com resultado pífio em número de votos.

Agora, com a sofrível administração de Paulo Garcia em Goiâ­nia, os partidos da base marconista sentem que chegou a hora de retomar o Paço. O PSDB quer o lugar e já apresentou as credenciais. Partido aliado que se sentir incomodado, pode aguardar o segundo turno para voltar à base.

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