Se meu pai estivesse aqui, falaríamos de Juscelino Kubitschek o dia todo

22 agosto 2025 às 14h29

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Meu pai era representante comercial e viajava muito para Brasília, desde 1965. Em 2011, ele decidiu parar de viajar. Nas últimas viagens, tive o privilégio de acompanha-lo. Quando chegamos no Distrito Federal, eu falei: “Pai, só mesmo o Juscelino Kubitschek para fazer Brasília”. Ele recordou que, no dia do velório do ex-presidente, estava trabalhando na capital federal. Ah, como eu tenho saudade de conversar sobre História com meu pai.
Por falar em saudade, a música preferida de Juscelino Kubitschek era “Peixe Vivo”. Milton Nascimento a cantou belamente para a minisserie JK, da Rede Globo. “Como poderei viver sem a tua companhia?” No dia 22 de agosto de 1976, os brasileiros fizeram essa pergunta quando o plantão do Jornal Nacional informou a morte de Juscelino Kubitschek. Ele estava viajando para o Rio de Janeiro pela Via Dutra quando sofreu um acidente perto de Rezende (RJ). O carro era dirigido pelo seu fiel motorista Geraldo Ribeiro. Os dois morreram na hora.
Em 1976, Juscelino não estava mais na politica. Já faziam doze anos que os militares cassaram seu mandato de Senador por Goiás e suspenderam seus direitos políticos. Logo ele que governou o Brasil com um sorriso no rosto, construiu a nova capital federal, ampliou as indústrias, abriu estradas, concedeu anistia aos revoltosos que quiseram tira-lo do poder. Eu sou lacerdista e devo admitir que, caso houvesse eleições presidenciais em 1965, Juscelino Kubitschek derrotaria Carlos Lacerda tranquilamente.
Hoje não temos mais lideranças para dar continuidade as heranças deixadas por Juscelino Kubitschek. O Brasil precisa desenvolver de novo 50 anos em 5. O que me resta é a saudade daqueles tempos que não vivi e que a História me mostra que foram anos dourados. Ah, se meu pai estivesse aqui… hoje passaríamos o dia todo falando em Juscelino Kubitschek.