A televisão está presente em boa parte das minhas recordações de infância, mas o rádio também tem espaço na minha memória. Eu lembro que nas casas das minhas avós tinham rádios nas estantes. Minha Vó Maria, mãe da minha mãe, ouvia programas religiosos. Não lembro de ver minha Bá, mãe do meu pai, ouvindo rádio, mas lembro de um aparelho grande que ficava na estante da sala da casa dela. O rádio faz parte da história de muita gente e marcou a história do nosso país.

Em 1922, o Brasil comemorava o primeiro centenário da sua independência. Um dos eventos foi a primeira transmissão radiofônica. Do alto do Morro do Corcovado, o Presidente Epitácio Pessoa fez um discurso sobre os feitos econômicos do Brasil. Começava ali uma longa história de amor entre os brasileiros e o rádio. Por aquele aparelho, se sabia as notícias do dia, as músicas, as radionovelas. O rádio despertava a imaginação dos ouvintes ao narrar uma partida de futebol ou o enredo de um romance.

Getúlio Vargas soube muito bem usar o rádio a seu favor. O seu “A Voz do Brasil” começava às 19 horas e pelos microfones da Rádio Nacional ele dava o seu recado para os “trabalhadores do Brasil”. Os sucessores de Vargas também usaram o rádio para enaltecer os feitos do seu governo. A oposição também usava o rádio para atacar o governo. Carlos Lacerda tinha os microfones das rádios Tupi e Mayrink Veiga para atacar o comunismo e Getúlio Vargas.

O rádio começou a perder força a partir da década de 1950, com a estreia da televisão. Os brasileiros poderiam conhecer não somente a voz, mas o rosto dos artistas. A televisão usou da base radialista para fazer sua grade de programação. Apesar da perda da liderança na audiência, o rádio conseguiu se reinventar ao ser transmitido pelo YouTube. Mesmo assim, tem gente que não abre mão do aparelhinho.

Hoje nós recordamos o Dia Mundial do Rádio, data escolhida pela UNESCO em 2011. Um bom dia para lembrar da história radiofônica e despertar em nós as boas lembranças da nossa infância.

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