Márcio M. Cunha
Márcio M. Cunha

O hipocampo e a condenação na Justiça

Cabe aos magistrados aplicarem a norma com base em depoimentos testemunhais, embasados em outras provas

Cérebro - Foto GreenFlames09 Creative Commons

Nosso cérebro não é uma câmera fotográfica, nem uma máquina de filmar | Foto: GreenFlames09/Creative Commons

No último dia 5 de maio, os repórteres Valmir Salaro e Renato Ferezim da rede globo, apresentaram no Fantástico um experimento denominado “teste de reconhecimento de suspeitos” chegando à conclusão de o procedimento confiável adotado no Brasil não é confiável. Por certo, cabe aos Magistrados aplicarem a norma com base em depoimentos testemunhais, embasados em outras provas, sob pena de serem induzidos por testemunhas que preencheram suas memórias com realidades inexistentes, seja no campo, penal, civil, administrativo, ou trabalhista, pois nosso cérebro não é uma câmera fotográfica, nem uma máquina de filmar, existem muitas falhas na forma como nós guardamos nossas memórias.

Antes de detalhar o experimento e tentar explicar um pouco do HIPOCAMPO , ressalto que fiquei alarmado com o resultado da pesquisa, que 76% dos participantes erraram ao apontar o culpado do crime, destacando que esses participantes seguiram as normas brasileiras do teste de reconhecimento de suspeitos!

O Hipocampo cerebral é o local de armazenamento temporário da memória, principalmente a memória a longo prazo. Faz parte do sistema límbico, que é o conjunto de estruturas responsáveis pelo sentimento.

Reconhecer uma pessoa estranha que eu só vi uma vez, seja por segundo ou minutos é uma coisa muito difícil.

Nosso cérebro não é uma câmera fotográfica, nem uma máquina de filmar existem muitas falhas na forma como nós guardamos nossas memórias, elas ficam numa região do cérebro chamada Hipocampo para acioná-las percorremos um caminho pré-determinado, numa rede de neurônios, um caminho cheio de buracos preenchidos automaticamente, e assim somos capazes de lembrar de algo que nunca aconteceu.

Produzir falsas memórias é parte do funcionamento normal da memória. Então, não tem como você alterar isso.  A psicóloga Lilian Stein estuda há 20 anos a ciência por traz do reconhecimento de pessoas, e aponta procedimentos básicos, que fazem muita diferença,

Dizer pra pessoa que o assaltante pode ou não estar dentre essas fotos e que muito importante, quem vai apresentar essas orientações não sabem qual das 7 ou 5 fotos é o suspeito de ter cometido o assalto.

A reportagem foi divida em duas partes, sendo elas:

Primeira Parte do experimento:

Ator do crime: 1,80 de altura, moreno, olhos castanhos, 2 cm e 57ml separam um olho do outro, cabelos pretos, 97 micrometros de diâmetros de cada fio, 27 anos de idade, ator, o trabalho dele será interpretar um criminoso, quem vai assistir a encenação será estudantes de direitos de uma faculdade de São Paulo, eles não sabem que tudo é armado. Agora, eles serão convidados a identificar o ladrão entre outros 5 atores.

O experimento foi organizado com base em outro feito na Universidade de São Paulo há 7 meses, pela Advogada Karen Tenenbojm.

Segunda parte do experimento:

Os alunos foram convidados a reconhecer o ator do crime que encenou o roubo do Lap Top.  Divididos em dois grupos o primeiro recebeu orientações que seguem as normas do departamento de Justiça Americano:

O ator pode ou não estar nessas fotos, se você não souber pode dizer: não sei. Só te lembrar para ter muita cautela nesse procedimento, porque isso na pratica pode acarretar numa condenação de inocente. 

O outro grupo foi orientado seguindo o a Legislação brasileira:

Você vai fazer o papel de uma testemunha tentar reconhecer através de fotografia o suposto autor do computador do professor.

Mesmo seguindo padrões considerados mais apropriados a justiça Americana já condenou muitos inocentes, inclusive recentemente libertou um homem preso há 28 anos que foi considerado inocente; anterior a isso havia uma caso de acusado de estupro que cumprira 23 anos de prisão.

Uma ONG a INNOCENCE PROJECT conseguiu tirar da cadeia cerca de 360 pessoas reconhecidas de forma equivocada.

A maior parte dos 42 participantes do experimento do Fantástico errou ao apontar o ladrão principalmente aqueles que não foram orientados conformes os protocolos recomendados internacionalmente.

Do grupo que seguiam apenas as normas brasileiras todos apontaram o culpado, 76% erraram. No outro grupo 63% disseram que não se sentiam confiantes em apontar o culpado. Os outros 26% disseram que sabiam com certeza quem roubou o Lap Top e erraram.

Poucas diferenças físicas do outro ator que encenou o roubo que no momento do reconhecimento não fez muita diferença, passaram despercebidas, se fosse um caso real não seria o ladrão, seria uma inocente que iria pra trás das grades injustamente.

Para a Psicóloga Lilian Stein “reconhecer uma pessoa estranha que eu só vi uma vez, seja por segundo ou minutos é uma coisa muito difícil”.

Nosso cérebro não é uma câmera fotográfica, nem uma máquina de filmar existem muitas falhas na forma como nós guardamos nossas memórias, elas ficam numa região do cérebro chamada Hipocampo para acioná-las percorremos um caminho pré-determinado, numa rede de neurônios, um caminho cheio de buracos preenchidos automaticamente, e assim somos capazes de lembrar de algo que nunca aconteceu.

Lilian Stein e ainda acrescenta  “Produzir falsas memórias é parte do funcionamento normal da memória. Então, não tem como você alterar isso”.

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