Os militares patropis criaram uma ditadura, com o apoio de civis — vivandeiras da estirpe de Carlos Lacerda e Magalhães Pinto —, e começaram a desistir dela em 1974, com a posse do presidente Ernesto Geisel. Militares, como Castello Branco, Golbery do Couto e Silva e Ernesto Geisel, acreditaram que, com eles no poder, a corrupção cessaria e o País cresceria, tornando-se uma potência similar aos Estados Unidos e à Alemanha. Ledo engano.

A corrupção pode até ter diminuído, mas não acabou — como não acabará jamais —, o País cresceu, em termos econômicos, mas não se equiparou aos países de Wolfgang Goethe e William Faulkner. A permanência da corrupção e o início de uma estagnação econômica, depois de um período de crescimento “milagroso”, assustaram os militares aberturistas, como Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva. Aí, percebendo dias difíceis, que seriam atribuídos aos militares, a dupla decidiu “matar” a ditadura que haviam criado, com Castello Branco, em 1964.

Agora, 50 anos depois do golpe de 1964, os militares querem continuar nos quartéis e não têm o mínimo interesse em voltar ao poder. Porque perceberam que a sociedade não pode ser “corrigida” por mãos rígidas e autoritárias e que são mais úteis ao País se atuarem como guardiões da segurança nacional.

Portanto, quando alguns gatos pingados saem às ruas e pedem um novo regime autoritário, os militares, do mais graduado general ao mais simples soldado, provavelmente fazem piada. Ao contrário do que ocorreu em 1964, não há sincronia alguma entre o “movimento” — sem lastro social — que pede a volta dos militares ao poder, ou ao menos uma intervenção cirúrgica, e os militares. Os que clamam por “novo” golpe não sabem direito o que é uma ditadura, porque são muito jovens, mas os militares sabem que governos discricionários não são bons para ninguém — nem para eles.