Ademir Luiz é um exército de um só indivíduo. Não parece ser apenas uma pessoa, e sim muitas, e com qualidades indiscutíveis.

Scholar, Ademir Luiz é professor-doutor da Universidade Estadual de Goiás (UEG). É estudioso da Idade Média, sobre a qual sabe muito. É um dos filhos intelectuais do historiador brasileiro Hilário Franco Júnior e, sim, do múltiplo italiano Umberto Eco. Filho rebelde, é certo. Mas filho.

Graças à inquietude intelectual, Ademir Luiz, ainda que seja especialista em determinados temas, é polímata.

Se o repórter quiser falar sobre história, Ademir Luiz é a pessoa certa a ser consultada — dadas sua excelente formação e sua curiosidade intelectual ímpar.

Se o público quiser saber sobre fenômenos de massa, como cinema, personagens de quadrinhos, Ayrton Senna, Pelé, Chaves, que ninguém se acanhe: Ademir Luiz é uma espécie de Google multifacetado.

Porém, se o repórter estiver interessado em literatura, tanto a brasileira quanto a de outros países, pronto: consulte Ademir Luiz. Ele terá o que dizer, e o dirá muito bem, com amplo conhecimento de causa. O mestre é um crítico literário dos mais refinados e atentos. Quando escreve sobre seus pares contribui para firmar reputações literárias, tal a agudeza de suas observações.

E há, claro, o Ademir Luiz escritor — romancista, contista e cronista (se brincar, seu baú contém poesias modernistas). Como tal, é dotado de imaginação poderosa, mesclando seu conhecimento literário com uma escrita que, tendo bebido em James Joyce, é diversa da prosa do irlandês. Aproxima-se mais, quem sabe, de Laurence Sterne, um dos ídolos de Machado de Assis. Há um que da ironia fina e sutil do autor de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” na literatura do escritor brasileiro.

Por fim, há o ativista cultural, presidente da União Brasileira de Escritores-Seção de Goiás (Ube-GO). Ademir Luiz é, por natureza, um agregador. E sabe se cercar de pessoas talentosas, como Solemar Oliveira e Carlos Willian (excelente poeta, por sinal, e crítico literário perspicaz). Ele é uma “abre-te, sésamo” para escritores jovens e mesmo para mais velhos mas ainda não consagrados. Sua paciência supera a de Jó.

“Ademires Luizes”, múltiplos, “são” tantas coisas e, mesmo jogando em várias posições, não perdem qualidade. Pois Ademir Luiz, o polivalente — palavra em desuso, pós-Cláudio Coutinho (sim, Ademir Luiz sabe quem é) —, acaba de ser eleito membro da Academia Goiana de Letras. Por unanimidade: 25 a 0. Nelson Rodrigues não tinha razão em tudo: há unanimidades inteligentes — como Ademir Luiz.

Com Ademir Luiz, dínamo, na AGL ganham todos — a cultura, a Academia, os confrades, Goiás, o Brasil etc. E mais: a AGL ganhará um membro bem-humorado, que contribuirá para a Academia ser ainda mais ativa. Ele é o caçula da Academia, tomando o posto de Iúri Rincon Godinho (outro exército de um homem só. Dizem que Iúri dorme apenas com um olho. O outro fica lendo, pesquisando e escrevendo).

Currículo mínimo de Ademir Luiz

Presidente da União Brasileira de Escritores-Seção de Goiás. Doutor em História pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG). Docente do programa de pós-graduação interdisciplinar Territórios e Expressões Culturais no Cerrado (TECCER), e nos cursos de História e Arquitetura & Urbanismo.

Ademir Luiz realizou pós-doutorado em Poéticas Visuais e Processos de Criação. Bolsista pesquisador do Instituto Camões de Portugal (2002). Criador e coordenador do LUPPA (Laboratório de Pesquisa e Produção Audiovisual). Editor do periódico acadêmico Revista “Nós – Cultura, Estética & Linguagens”.

Participou da equipe de criação da Editora da UEG. Indicado ao Prêmio Capes de Teses 2009. Vencedor do Prêmio Cora Coralina de 2002 e do Prêmio Hugo de Carvalho Ramos 2014. Recebeu o Troféu Goyazes em 2013 e as comendas Medalha do Mérito Cultural em 2015 e Medalha do Mérito Anhanguera em 2019, concedidas pelo Governo do Estado de Goiás. Ainda em 2019 recebeu o Diploma de Honra ao Mérito da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás. Em 2020 tornou-se membro honorário do Gabinete Literário Goyano, instituição fundada em 1864.