Euler de França Belém
Euler de França Belém

Uma ararinha é eletrocutada na Rua 26, no Setor Marista

Nós destruímos os campos, para produzir alimentos, e os pássaros migram para as cidades, igualmente em busca de alimentos

Ao passar pela Rua 26, no Setor Marista, nas proximidades da Rua 9, olho para cima e vejo uma ararinha esturricada e presa num fio de eletricidade. Foi eletrocutada. Pássaros até mais pesados, como alguns gaviões, pousam nos fios e não são eletrocutados. O que teria acontecido com a pequena arara? Teria balançado entre um fio e outro, num balé mortal, daí a descarga elétrica? Não sei.

O que dizer do companheiro, ou companheira, que estava junto da ararinha verde? É provável que, muito assustado, tenha voado para longe, muito longe. Terá voltado para verificar o que aconteceu com a parceira? Terá arranjado nova parceira ou passará por uma fase de “depressão”?

Mesmo com a chuva, a ararinha não caiu, permanece no fio, grudada, como se a energia a tivesse colado com superbonder.

Os homens destroem os campos, para se alimentar, com as plantações de soja ou de arroz e a criação de gado de corte e leiteiro, e depois plantam árvores, algumas frutíferas, nas cidades. Na falta de alimentos nos campos, devastados, os pássaros migram para as cidades, onde encontram árvores (habitações), alimentação e uma certa proteção. As pombas do bando estão se tornando pássaros urbanos, competindo com os pombos citadinos.

Como se fossem novos pardais, os bem-te-vis são vistos mais nas cidades do que nas áreas rurais. Os sabiás estão chegando, firmando-se nas ruas e quintais. Canarinhos amarelos passeiam pelo chão e pela grama em busca de comida. Saíras, sanhaços e assobiadores marcam presença, catando, aqui e ali, um naco de mamão ou de uma banana nos fundos das casas, às vezes em áreas públicas. As ararinhas e até as araras Canindés (um casal está sempre numa palmeira que fica próxima ao shopping Bougainville) estão quase morando nas árvores, sobretudo coqueiros e palmeiras, de Goiânia. Pica-paus (alguns de cabeça vermelha, outros, mais robustos, de coloração amarelada e meio pedrês; parecem pesados e voam baixo, como se desafiassem a gravidade) aparecem até no chão da Praça Tamandaré e nos pés de coco macaúba. Buscam formigas e cupins, iguarias das mais finas.

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