Capitalizado, o Grupo Globo comprou a parte dos irmãos Frias no Valor Econômico. Mas venderia sua galinha dos ovos de ouro?

Paulo Henrique Amorim: adversário figadal da família Marinho

Recentemente, o jornalista Paulo Henrique Amorim, do blog Conversa Afiada e do canal TV Afiada (no YouTube), disse que a TV Globo está à venda. Estaria mesmo? Não parece. De tão capitalizados, os irmãos Marinho compraram há pouco a parte do jornal “Valor Econômico”, o mais importante na área de cobertura de economia do país, que pertencia aos irmãos Luís Frias e Otavio Frias Filho, do Grupo Folha da Manhã, que controla a “Folha de S. Paulo” e o UOL. Vender a Globo é a mesma coisa que vender a galinha de ovos de ouro. A rede, além de representar o maior faturamento do grupo, é fonte de poder, tanto para a família Marinho quanto para os demais meios de comunicação do grupo. Alguém entrega sua fonte de poder? Dependendo dos valores, sim. Mas o que seriam “O Globo” e o “Extra!”, para citar dois jornais, sem a força da Globo? Teriam força, principalmente “O Globo”, jornal excelente, mas, sem a ancoragem da Globo, perderiam importância, sobretudo na repercussão e massificação de determinadas informações. Hoje, a televisão vitamina o jornal e, de fato, o jornal a vitamina.

No vídeo postado, mas sem apresentar elementos comprobatórios, Paulo Henrique Amorim afirma que o bilionário Carlos Slim seria o principal interessado em adquirir a Globo. Listado como um dos homens mais ricos do mundo, o empresário mexicano controla, no Brasil, a Claro, a Net e a Embratel.

Paulo Henrique Amorim sustenta, no vídeo, que “Slim salvou a Globo em 2004, quando a Globo quebrou. Botou dinheiro para a compra da Net. A Globo, nos últimos três anos, distribuiu R$ 5 bilhões aos seus acionistas. Isso significa que os donos não querem mais investir no negócio. Estão metendo a mão na grana e pulando fora”. Ao contrário do que sustenta o jornalista, os dados divulgados nos últimos tempos, indicam que a Globo é extremamente sólida e lucrativa. Nenhum outro meio de comunicação lucra tanto quanto que a empresa da comandada pela família Marinho. Não há indício de que os três irmãos querem passar o negócio adiante.

A história não é recente, Paulo Henrique Amorim a divulgou na primeira quinzena de maio. Mas, como leitores da coluna cobram minha interpretação dos fatos, publico o vídeo, para que possam extrair suas próprias conclusões, e teci o breve comentário acima. Sublinho que o contencioso entre Paulo Henrique Amorim e a Globo — mais do jornalista — às vezes turva o pensamento do excelente comentarista de economia. Sobre a venda da Globo, não há, até agora, viv’alma que confirme a informação. Se verdadeira, dada sua dimensão, já teria sido comentada até no exterior. A confusão entre desejo, às vezes fruto de ressentimento, e realidade é costumeira até em mentes privilegiadas como a do jornalista.