Euler de França Belém
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TV Brasil demite Leda Nagle, apresentadora do programa Sem Censura

A cúpula da EBC afirma que não tem dinheiro para bancar a jornalista. Mas sugere que vai manter o programa na sua grade de programação

Leda Nagle, apresentadora do programa Sem Censura, da TV Brasil | Foto: Facebook

Leda Nagle, apresentadora do programa Sem Censura, da TV Brasil | Foto: Facebook

A Empresa Brasileira de Comunicação demitiu na quinta-feira, 8, a jornalista Leda Nagle, apresentadora do programa “Sem Censura”. O presidente da EBC, Laerte Rímoli, informou que não tem mais condições de pagá-la.

Quando vazou a informação de que Leda Nagle seria demitida, a cúpula da EBC emitiu um comunicado na quarta-feira, 7: “A renovação do contrato da apresentadora Leda Nagle, que comanda o programa Sem Censura, exibido diariamente na TV Brasil, está sob reexame da Direção da Empresa Brasil de Comunicação. A EBC está empenhada em manter o Sem Censura na grade de exibição da TV Brasil com a apresentadora à frente do programa, mas está sendo obrigada a rever este e outros contratos devido à severa restrição orçamentária por que passa a Empresa e o país de forma geral. A ideia é fazer uma repaginação do programa em 2017”. Na quinta-feira, um ia depois, a demissão foi confirmada.

Leda Nagle saiu atirando: “Ontem [quarta], me convocaram para uma reunião e me apresentaram um aditivo que vale por dois meses e termina dia 5 de janeiro, coincidentemente dia do meu aniversário. ‘Estamos sem dinheiro para continuar. Você fica até 5 de janeiro. Em março você propõe alguma coisa e a gente pode até conversar’. Portanto fui demitida ontem pelo Laerte Rimoli, a uma hora da tarde. Claro que fiquei triste. Tenho 40 anos de televisão. Estou fazendo o ‘Sem Censura’ há quase 21 anos. Gosto muito do programa e da minha equipe. E, mais do que triste, fiquei perplexa com a falta de caráter em dar a palavra de que estava tudo certo, que o contrato seria renovado, deixar a pessoa trabalhar normalmente , sem contrato, acreditando na palavra empenhada e aparecer com advogado, um aditivo e esta desculpa esfarrapada da falta de dinheiro. Foi assim. Foi muito feio. Fiquei e estou muito triste. Mas vida que segue. Sou uma mineira guerreira. Bola pra frente, com certeza. Se Deus quiser.”

O que se comenta é que, na gestão do PT, a EBC estava pagando “salários” (na verdade, eram contratos) similares aos salários médios dos profissionais da TV Globo (não são, claro, salários equivalentes aos de William Bonner, que recebe cerca de 1,5 milhão de reais).

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