Everardo Leitão               

Militar, recruta ou marechal, é sempre comandado pelo chefe civil. Ele é obviamente ouvido em assuntos militares. Como o médico é ouvido em assuntos de saúde, o advogado em assuntos de direito, o paisagista em assuntos de jardins. Mas ele, como os outros, não toma decisão política nem tutela o poder civil. Como todo funcionário estatal, ele opina, decide no âmbito de sua competência e só dá ordem para seus subordinados, nos termos da lei.               

Faz parte do quadro de sintomas do complexo de vira-lata essa mania de consultar e ficar dependente da opinião política dos militares. Numa democracia moderna, ela é uma mais no meio das tantas. Opinião que nem é usualmente emitida nas verdadeiras democracias, porque indevida, porque macula a institucionalidade da atuação da mão armada, que existe mais que nada para dissuadir o agressor externo. Sem uniforme, o general vota em quem quiser. Com uniforme, ele não tem escolha senão cumprir o que a lei lhe manda fazer.              

Por isso, estão certíssimos os comandantes militares em ficar calados.

Everardo Leitão é escritor, editor e jornalista.