Euler de França Belém
Euler de França Belém

Silvia Pilz é vítima do politicamente correto, que bane a crítica, não necessariamente o preconceito

Preconceito não acabará por ser banido das páginas dos jornais. No Brasil, a burrice merece estátua e a inteligência, o cemitério

Silvia Pilz: ideia exposta em seu blog deveria ter sido usada como pauta pelos editores de O Globo

Silvia Pilz: ideia exposta em seu blog deveria ter sido usada como pauta pelos editores de O Globo

O politicamente correto, com o apoio de editores, que, de repente, se tornaram populistas — de olho, quem sabe, nos negócios e assinaturas dos jornais —, pode destruir o humor e a diversidade de pensamento da sociedade. Por que opiniões exacerbadas têm de ser banidas? É mais adequado que sejam contestadas com a mesma paixão. Censuradas, não. Pois o blog da jornalista Silvia Pilz, de “O Globo”, foi extinto recentemente porque a autora publicou declarações fortes porém inofensivas — mais do que preconceituosas — a respeito dos pobres.

Silvia Pilz escreveu: “Todo pobre tem problema de pressão. Seja real ou imaginário. É uma coisa impressionante. E todos têm fascinação por aferir a pressão constantemente. Pobre desmaia em velório, tem queda ou pico de pressão. Em churrascos, não”. O que há de excessivo no texto, que é mais bem humorado do que preconceituoso? Nada, é claro. O jornal, no lugar de extinguir o blog, deveria ter sugerido que algum dos leitores mais indignados publicasse um texto rebatendo a colunista. Aliás, o editor de “O Globo” deveria ter visto — e não estou de gozação — uma pauta naquilo que escreveu a jornalista.

O projeto de Silvia Pilz era escrever aquilo que se pensa, mas “ninguém tem coragem de dizer”. Deu-se mal. Os jornais, acossados pelas redes sociais, se tornaram vigilantes, não do peso, e sim das ideias dos que pensam diferentemente da maioria.

O que os editores não querem entender é que, daqui a pouco, não se poderá criticar ninguém nos jornais. Tudo aquilo que desagrada um ou outro “grupo” será transformado em preconceito. O preconceito, por sinal, não acabará por ser banido das páginas dos jornais. No Brasil, tudo indica, a burrice merece estátua e a inteligência, o cemitério.

Louis-Ferdinand Céline, abominável por suas ideias antissemitas, era um escritor maravilhoso. Se vivesse hoje, estaria preso, e talvez impedido de publicar seus livros. O dramaturgo e cronista Nelson Rodrigues, embora cultuado, porque está morto, também seria banido.

10 respostas para “Silvia Pilz é vítima do politicamente correto, que bane a crítica, não necessariamente o preconceito”

  1. mauro disse:

    Euler, a forma como essa blogueira foi “punida” não difere de como o politicamente correto se impõe nos EUA, berço do PC. Não houve liminar, mandado judicial, interpelação, ou qualquer outra bobagem jurídica envolvida. Foi simplesmente a lógica de mercado se manifestando. A maioria do público não gostou, ela se tornou uma “liability” e poderia afugentar patrocinadores e, por isso, foi limada. É assim que deve ser, sem processo judicial. Aprofundando um pouco, tem uma frase que é mais ou menos assim: não é que seja sem graça porque é ofensivo, mas sim é ofensivo porque é sem graça. Se pelo menos o que ela escrevia fosse engraçado, ela poderia sair ilesa. Pessoas melhores que ela já disseram coisa pior e se safaram porque foram competentes, ou seja, fizeram rir.

    Você citou a crônica sobre pobre e talvez não tenha lido essa aqui, que creio foi a última:

    “Eu quero voltar pro mundo onde negros eram chamados de negros, já que chamá-los de afrodescendentes não mudou em nada o preconceito que eles sofrem, sofreram ou sofrerão. Todo mundo quer ser branco e ter olhos claros. Negras alisam cabelos, pais e mães, quando resolvem adotar bebês, vão pro Sul do país. Se bem que os mini-afrodescentes estão em alta. Simbolizam o “eu não tenho preconceito”, porque o que acontece em Hollywood, depois de um tempinho, acontece aqui. Parece uma espécie de campanha na qual quem adotar o mais feio garante seu lugar no céu”.

    Triste ler esse tipo de coisa. Realmente, “ninguém tem coragem de dizer” coisa do tipo, e é fácil entender o porquê. O que me é difícil entender é por que esses novos paladinos da liberdade de expressão (Danilo Gentili, Rafinha Bastos, etc) só miram em alvos fáceis. Creio que existe um monte de outras coisas não-ditas esperando alguém com a “coragem de dizer” mas que até agora, nada. Talvez porque nossos heróis estejam ocupados reforçando estereótipos, justificando o racismo e ofendendo e humilhando toda uma multidão de pessoas com sua visão de mundo arcaica e ultrapassada, em nome de um riso fácil e velho, do tipo que se ria nos anos 50, e que nunca vem. E essa visão de mundo vem travestida de moderna porque se pretende “transgressiva”. Ora, ser transgressivo é desafiar e ofender o poderoso, e não o pobre, negro, ou qualquer outro que esteja por baixo. .

    Para concluir: não houve censura. Ela pode escrever essas “pérolas” onde bem entender na internet. Pode continuar a ter um blog pessoal. Mas não mais sob a bandeira da Globo. E isso é bom.

  2. Maria Paula Thompson disse:

    Euler, estou afinadissima com sua opiniao, apesar de o Mauro ter dito alguma verdade a respeito dos patrocinadores. Eu detesto o politicamente correto, pois representa a hipocrisia dos falsos moralistas! E a Silvia esta certa em muitas colocacoes, e muita gente faz comentario sobre o que ela costuma escrever. Cansei de pessoas que se fazem de boazinhas e na verdade nao passam de lobos travestidos de ovelhas.

  3. miriam Zig disse:

    Miguel Falabela sempre fez sátira dos puxadinhos e das manias de doença dos “pobres”, Chico Anísiso tinha o Justo Veríssimo que dizia que ia cavar um buraco e colocar os pobres dentro. Me poupem agora, O Globo, reagir dessa forma, não apoiando Silvia. Do povo, espera-se qualquer coisa, até PresiDANTAS. Reação boba diante de um texto bem humorado e sarcástico, mas ela fala sempre também do comportamento “blasé” dos ricos que também é ótimo. Talvez Silvia tenha que fazer uma carreira sólida para falar e segurar depois… Vá em frente,Silvia, vc é maior que tudo isso!

  4. Vinícius Rocha disse:

    Ela também fez um texto carregado de preconceito contra crianças com síndrome de down, e isso contou muito. As vezes é necessário deixar corporativismos e ideologias de lado e ver quando a situação foge do controle e deixa de ser “humor”.

    • danilo disse:

      isso é o politicamente correto, por que certos grupos podem ser criticados e outros não, sabe o que isso me cheira ? o mandamento de a revolução dos bichos que diz: Todos os animais são iguais mais alguns são mais iguais que outros.

  5. Angie Jurgensen disse:

    O problema que estou vendo é que o pessoal esta confundindo “correto” com “politicamente correto”. Amar ao proximo, ter compaixao, é CORRETO, nao politicamente correto. Assim como ser uma lesma gosmenta que so bota veneno pra fora, e esfrega esse veneno em todo local com a desculpa de que esta expressando o que a maioria nao tem corajem de dizer, é INCORRETO, e nao politicamente incorreto. Dizer que querer disseminar o bem é “hipocrisia dos falsos moralistas” é dar um passo pra tras em termos de humanidade.

    • danilo disse:

      diferer o politicamente correto de algo menos agressivo como “correto” não muda em nada a essencia do politicamente correto, alias o polticamente correto ODEIA quem critca minorias ou certos grupos, por que não podem ser criticados ? por que uma opinião não pode ser omitida simplismente por que não prega o bem comum generalizado e idiota ? isso pra mim se chama fascismo, suprimir opiniões diferentes seja la por que é CENSURA e coisa de gente autoritária que odeia a liberdade de expressão.

  6. danilo disse:

    essa tao de silvia pilz é mais uma vítima da patrulha, outra vítima dos fascistas do bem, eu espero que ela ganhe ainda mais espaço na luta contra essa abominação chamada politicamente correto.

  7. danilo disse:

    o fascismo do bem faz novamente outra vítima.

  8. danilo disse:

    Só queria dizer que pra Silvia Pilz que ela não é e nem sera a primeira vítima desse pessoal, quem tem coragem denuncia o erro aonde ele esta.

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