Euler de França Belém
Euler de França Belém

Sete escritores, que embora excelentes, não devem ganhar o Prêmio Nobel de Literatura de 2016

Philip Roth, Milan Kundera, Joyce Carol Oates, Ian McEwan, Martin Amis, Don DeLillo e Cormac McCarthy não têm chance alguma. Eu escolheria qualquer um deles de olhos fechados

Philip Roth: um grande escritor que a Academia Sueca parece não prezar

Philip Roth: um grande escritor que a Academia Sueca parece não prezar

Minhas apostas para não ganhar o Prêmio Nobel de Literatura incluem ao menos sete escritores: Philip Roth, Milan Kundera, Joyce Carol Oates, Ian McEwan, Martin Amis, Don DeLillo, Cormac McCarthy (nem falo de William Kennedy, o ciclo de Albany é brilhantíssimo; Richard Ford e Julian Barnes). Este ano será a vez de algum escritor exótico, o Joyce da Guiné, diria, se vivo, Saul Bellow, devidamente nobelizado?

Philip Roth é, sem dúvida, o maior escritor americano vivo. A Academia Sueca pode escolhê-lo desta vez? Muito difícil. O autor de “O Complexo de Portnoy” e “O Teatro de Sabbath” não é amado pelos suecos, não se sabe por quê. Mas, agora que parou de publicar livros há pelo menos dois anos, não seria o momento de “imortalizá-lo”? (ninguém esquece um nobelizado, mesmo se não for bom). Philip Roth, o sem esperança, espera — sempre sentado.

Milan Kundera: estupendo romancista, contista e ensaísta

Milan Kundera: estupendo romancista, contista e ensaísta

Se perguntassem a mim —, o que, óbvio, não farão —, eu diria de, cara: “Deem o Nobel a Philip Roth ou a Milan Kundera”. Ou diria: “Deem ao mais velho, ou, quiçá, ao mais doente”. Se é que algum deles está doente. A vitalidade literária de ambos, mesmo velhos, impressiona.

Milan Kundera consegue ser romancista, contista e crítico literário (mais ensaísta) de primeira linha. Escreve muitíssimo bem, mas o fato de que “A Insustentável Leveza do Ser” tenha se tornado uma obra popular, tanto pelo romance quanto pelo filme, parece ter turvado a sua reputação de grande escritor, o que o tcheco é. Os contos de “Risíveis Amores” são um espetáculo. Os ensaios, como um sobre Cervantes, são obras-primas.

Joyce Carol Oates: autor do magnífico romance "A Filha do Coveiro"

Joyce Carol Oates: autor do magnífico romance “A Filha do Coveiro”

A literatura de Joyce Carol Oates parece assustar os velhinhos — tão velhinhos assim? (ao menos não ficam falando de mutirão e “intindimento”) — da Suécia. Aos leitores, agrada sempre, ou quase sempre. Poucos romances são tão bons quando “A Filha do Coveiro”, isto para citar apenas um de seus muitos livros. Os ensaios da escritora também são estupendos. Ela escreve bem até sobre boxe.

Cormac McCarthy: "Meridiano Sangredo" é um dos mais importantes romance americanos

Cormac McCarthy: “Meridiano Sangrento” é um dos mais importantes romance americanos

Cormac McCarthy é uma espécie de Milan Kundera dos Estados Unidos. Sua prosa é finíssima, não tem quase nada a ver com William Faulkner, exceto na brutalidade de algumas cenas — segundo Harold Bloom, é um shakespeariano na América (o “juiz” personagem de “Meridiano Sangrento” seria um personagem shakespeariano) —, porém algum atoleimado sugeriu que é um autor de “faroestes” e os velhinhos suecos (ora, lá tem medicamentos de ponta) certamente compraram a avacalhação. Cormac McCarthy ombreia-se com Faulkner, embora sua matriz não seja, por certo, a inventividade de James Joyce, que o autor de “O Som e a Fúria” transplantou para os Steites. Eu daria o Nobel a Corman McCarthy? Não pensaria meia vez.

Ian McEwan: autor de "Reparação", um dos mais importantes romances da literatura inglesa

Ian McEwan: autor de “Reparação”, um dos mais importantes romances da literatura inglesa

Dos europeus, daria o Nobel a Ian McEwan. Ah, problema: o autor de “Reparação” — um dos mais importantes romances dos últimos 30 anos — é “neocon”, se isto diz alguma coisa. Ah, sim, não é de esquerda. Mas e o que isto tem a ver com literatura? Há bons escritores de esquerda (García Márquez), de direita (Céline), de centro e que não adere a nenhuma corrente política. O que importa é sua literatura, não sua posição política, que, naturalmente, só interessa a militantes, mas não aos leitores. Eu daria o Nobel a Ian McEwan? Não pensaria uma vez. Mas, depois de Mario Vargas Llosa, da mesma linhagem política do britânico, dificilmente darão o Nobel ao autor do romance “Enclausurado” (pô, os velhinhos suecos não devem aceitar um sujeito que coloca um feto como narrador).

Martin Amis? Conservador demais — dirão os suecos, quase sempre politicamente corretos. Dizem que ficaram doentes dois anos depois de terem dado o prêmio a Vargas Llosa.

Don DeLillo? Dirão: “Pode esperar”. Será? Julian Barnes? Bom e subestimado. William Kennedy? Excelente, mas nunca devidamente valorizado.

O próximo Nobel de Literatura sairá da África, da Ásia ou da Escandinávia?

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Mario Mele

Genial! AÍ Bob Dylan atende o telefone… “Quem? Nobel de LiteraturA? É engano.” Rsrs