Euler de França Belém
Euler de França Belém

Série “Demolidor” prende atenção do telespectador e merece nota 8

As personagens da produção da Netflix são complexas e multifacetadas

Charlie Cox, como Matt Murdock-Demolidor, está bem, até muito bem | Imagem: Divulgação

“Demolidor”, da Netflix, não faz feio. Pelo contrário, é uma série assistível. O herói está bem representado.

Charlie Cox, como Matt Murdock-Demolidor, está bem, até muito bem. Mesmo como advogado, na sua expressão digamos civil, não é um homem frágil (ele é cego). Exala força, energia. Tem um ar meio deprê, como é típico da história de Stan Lee. Mesmo quando usa os punhos, luta para que a justiça prevaleça. Excede, por vezes. Mas o objetivo é a paz social e o primado da justiça (não postula o assassinato de criminosos). Alia-se, aqui e ali, aos quase heróis e quase-vilões (pós-vilões?) Justiceiro, Frank Castle, e Elektra (interpretada por Élodie Yung).

O Justiceiro e Elektra não levam a Justiça a sério e resolvem (ou tentam “resolver”) os problemas matando pessoas. Castle assassina os que julga bandidos. Elektra mata qualquer um. Seu “destino” é matar — talvez se possa dizer a seu respeito. A interação de personagens como Demolidor, Justiceiro e Elektra funciona, ainda que, eventualmente, um anule o outro — até para que o primeiro se firme como protagonista.

Coadjuvantes de Murdock, Karen Page (a atriz Deborah Ann Woll) e Franklin “Foggy” Nelson (o ator Elden Henson) estão em plena forma. Foggy no início inseguro acaba se firmando como advogado qualificado, formado em Columbia, tal como Murdock, seu (ex-)sócio. A bela Karen Page, assistente de Murdock e Foggy e, depois, jornalista, é eficiente e, ao mesmo tempo, enigmática. Vincent d’Onofrio, de quase 59 anos, faz muito bem Wilson Fisk, um mafioso violento e praticamente incontrolável.

A série sugere que as coisas no mundo não são precisas, há nuances. As personagens são ambíguas. O bem e o mal às vezes se aproximam, até negociam, mas quem está assistindo tem condições de distinguir diferenças e similitudes. “Demolidor” não é cansativa, mas fica-se com a impressão de que, aqui e ali, há uma certa enrolação, pontos que são mal costurados (a “ciência” da “imortalidade” parece uma temática pouco resolvida). Mas, no geral, prende a atenção do telespectador, segurando-o e puxando-o para ver todos os episódios.

Dou nota 8 para a série.

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Jeff

Um pouquinho atrasado hein? kkkk