Euler de França Belém
Euler de França Belém

Senador denuncia que Google e Facebook estão matando os jornais da Austrália

Os jornais e revistas produzem as notícias que influenciam, mas o faturamento crescente é de que nada produz

Nick Xenophon | Foto: reprodução/ Reuters

Em quase todo o mundo, inclusive no país mais rico da história, os Es­ta­dos Unidos, o Google e o Facebook estão concentrando recursos e, de alguma maneira, afetando o faturamento dos jornais, sobretudo os mais consagrados. Nos EUA, há uma discussão generalizada a respeito. Porque, mesmo sem produzir as principais notícias que circulam na internet — sobretudo as mais confiáveis e que, de fato, influenciam a sociedade —, o Google e o Fa­cebook acabam canalizando sua divulgação e, ao mesmo tempo, am­pliam seu faturamento comercial, ao criar uma rede amplamente integrada (o que os jornais não sabem ou não têm como fazer).

Depois da crise nos Estados Unidos, o protesto mais contundente vem da Austrália. O Yahoo! do país divulgou na terça-feira, 22, que o senador Nick Xenophon “quer que a Comissão de Consumo e Competição da Austrália (ACCC) investigue o impacto que o Google e o Facebook causaram no jornalismo do país. De acordo com o parlamentar, as empresas gigantes de tecnologia monopolizam os ganhos com publicidade digital, o que afeta diretamente os veículos de comunicação” (o texto entre aspas é do Portal Imprensa).

Os australianos discutem a possibilidade de taxar o Facebook e o Google e “direcionar o dinheiro arrecadado para investimentos em projetos ligados a jornalismo”. Nick Xenophon afirma que “eles” (o Facebook e o Google) “estão faturando bilhões de dólares e isso está matando a mídia” da Austrália. “Os questionamentos da ACCC seriam uma luz no fim do túnel para irmos adiante e podermos lidar com o poder de Google e Facebook”, sublinha o senador.

O diretor do Google Jason Pellegri­no afirma que a empresa, assim como o Facebook, não é responsável pela suposta “decadência do jornalismo” da Austrália. “Devemos culpar você e eu como consumidores de notícias porque estamos escolhendo mudar nosso comportamento e padrões de como fazemos isso”, ataca o executivo. Parece simples assim, mas não é. Facebook e Google se tornaram gigolôs da produção jornalística internacional, nada pagam para fornecer o material dos jornais, mas faturam, como frisou o senador australiano, bilhões de reais. É menos moderno e limpo do que parece.

O senador denuncia que, ao con­trário do que divulga a empresa (1,1 bi­lhão de dólares), o Google fatura 2 bilhões de dólares com publicidade na Austrália.

O Facebook prefere uma tática mais sutil, quase sugerindo que não se trata de uma empresa capitalista das mais agressivas. “A maioria das pessoas usa o Facebook para se conectar com família e amigos. Queremos ver o jornalismo prosperar na nossa plataforma”, afirma a executiva Aline Kerr. Na verdade, enquanto os usuários conectam-se com seus amigos e familiares, o Facebook conecta-os, direta ou indiretamente, com o mundo dos negócios. É uma troca, digamos, “faustiana”.

Em dezembro sai o parecer do comitê do Senado que debate a gigolagem “publicitária” do Google e do Facebook.

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