Euler de França Belém
Euler de França Belém

Salman Rushdie cede ao populismo ao criar personagem inspirada em Donald Trump?

“A Casa Dourada” é um romance que critica o modo de ser e agir do presidente dos Estados Unidos, mas não fica só nisto

Divulgação

Escritores às vezes se deixam levar pela onda da imprensa, dos críticos de jornais, e aderem a mitos e marquetagens canhestros. Salman Rushdie, autor do romance “A Casa Dourada” (Companhia das Letras, 456 páginas, tradução de José Rubens Siqueira), afirma que pelo menos um personagem é calcado no presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (e há outro personagem com características do republicano, um político que não teria condições de beijar os pés de Abraham Lincoln e Franklin D. Roosevelt).

O que quer Salman Rushdie? Possivelmente agradar os leitores, sobretudo os bem-pensantes. Ao sugerir que há uma personagem trumpiniana, o escritor convoca leitores que jamais leriam seus livros, por vezes com histórias intrincadas, pelo menos para comprá-los. O mercado dos Estados Unidos, com ou sem crise, ainda é um dos melhores do mundo. “A Casa Dourada” tende a se tornar quase uma “explicação” da era Trump. Um grande escritor já fez coisa semelhante? Sim. “A Marca Humana”, de Philip Roth, evoca o caso Bill Clinton e Monica Lewinsky, porém de maneira universal, sem datar o romance. Ainda não li o romance do autor indiano-anglo, mas espero que não seja um panfleto travestido de literatura.

Leia a sinopse da editora:

“O retorno triunfante de Salman Rushdie ao realismo, em um épico moderno sobre amor e terrorismo, perda e reinvenção. No dia da posse de Barack Obama, um bilionário enigmático chega do estrangeiro para se instalar em uma joia arquitetônica que fica na comunidade fechada do Greenwich Village. O bairro é uma bolha dentro da bolha de Manhattan, e a vizinhança logo fica intrigada com o excêntrico recém-chegado e sua família.

“Com seu nome inusitado, sotaque indecifrável e envolto em uma névoa de perigo, Nero Golden trouxe consigo seus três filhos adultos: Petya, sujeito alcóolatra, recluso e torturado; Apu, o artista extravagante, famoso por sua fome pansexual e espiritual; e D., o caçula de 22 anos, que guarda um segredo explosivo. Não há mãe e não há esposa, até que surge Vasilisa, uma atraente expatriada russa que captura o coração do septuagenário Nero, tornando-se sua rainha. O narrador é René, um cineasta jovem e ambicioso, vizinho de Nero e espécie de guia para seu mundo.

“Com o propósito de fazer um filme sobre os Golden, ele dá um jeito de cair nas graças da família. Seduzido pela mística deles, acaba inevitavelmente envolvido nas disputas, infidelidades e, por fim, até nos crimes. Enquanto isso, como uma piada de mau gosto, um vilão que parece saído dos quadrinhos entra numa acirrada corrida pela presidência dos Estados Unidos, deixando a cidade em polvorosa. O romance é uma história muito oportuna para o momento de trevas em que vivemos, contada com a ousadia e a exuberância características da prosa de Rushdie.”

“Uma espécie de O grande Gatsby dos nossos tempos: todos estão implicados, ninguém é inocente e ninguém escapa ileso”, disse a publicação “Kirkus Reviews”.

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