Euler de França Belém
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Sala de Imprensa Herbert de Moraes será inaugurada na quarta-feira

Herbert de Moraes criou um jornal para ser, mais do que moderno, eterno. Sobretudo, ele queria que o Jornal Opção fosse lido, pela qualidade do texto, com prazer

Herbert de Moraes: jornalista que criou o Jornal Opção há 40 anos | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Herbert de Moraes: jornalista que criou o Jornal Opção há 40 anos | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

A Assembleia Legislativa de Goiás inaugura na quarta-feira, 30, às 17 horas, a Sala de Imprensa Herbert de Moraes. A sala já existe, mas agora ganha o nome de um dos mais brilhantes jornalistas do país — o fundador e, durante anos, editor do Jornal Opção. O projeto é do deputado Humberto Aidar. “Herbert foi um dos grandes responsáveis pela criação de um jornalismo de vanguarda no Estado e no Brasil”, sublinha o parlamentar do PT. Criador do Jornal Opção, em 1975, Herbert de Moraes morreu em março deste ano, aos 73 anos. Frasista de primeira linha, costumava dizer que o jornal era seu filho eterno e que, a rigor, não lhe pertencia mais. Pertence aos leitores goianos e aos brasileiros (São Paulo, a capital do Estado homônimo, é a segunda cidade que mais acessa o jornal, segundo o Google Analyticz). Na redação, quando falávamos de jornalismo, ele dizia: “Jornal pode ser gerido por uma empresa privada, mas é mais público do que qualquer outra empresa particular”. Herbert de Moraes sempre pensava o Jornal Opção como um veículo que se destacava pela inteligência de seus profissionais e, por isso, de seus textos. Não importava que discordassem dele, desde que a argumentação fosse lógica e inteligente. Duas coisas chateavam o jornalista perspicaz: textos mal escritos, sem vibração e português estropiado, e políticos goianos que trabalhassem contra Goiás. “Aqueles que trabalham para prejudicar o Estado me terão pela frente, não como inimigo, e sim como adversário”, sublinhava.

O Jornal Opção, frisava, deveria abominar aquilo que se pode chamar de “opinião de manada” — a repetição de “ideias prontas” e “mal digeridas”. Ele sugeria que o bom jornalismo deve refletir a respeito de tudo, com objetividade, mas de maneira posicionada. O jornalismo que apenas reproduzia a opinião das fontes — algumas, a rigor, sem opinião alguma — nunca lhe agradou. Jornalismo, afinal, não é sinônimo de datilografia.

Lembro-me que um jornalista tinha o hábito de escrever “etc.” Herbert de Moraes implicava e, um dia, perguntou: “O que você quer dizer com etc.?” O repórter explicou-se: “E outras coisas”. O editor inquiriu: “E como o leitor vai saber quais são essas outras coisas?” O que estava tentando dizer ao colega é que “etc.” parece dizer uma coisa importante, mas, ao leitor, não indica nada — só vai deixá-lo com dúvida. “A nível de” era uma forma esconjurada. Sugeria que se trocasse para “em nível de” ou “em termos”. Ao revisar um texto, o que fazia com esmero, vetava, de cara, “via de regra”. E dizia: “Por motivos óbvios, como sugeriu o grande jornalista Carlos Castello Branco, colunista do ‘Jornal do Brasil’, ao Paulo Francis”.

Humberto Aidar está efetivamente certo: Herbert de Moraes fez um jornal-jornalismo de vanguarda. Curiosa ou sintomaticamente, os primeiros números do jornal discutiam, de maneira densa, os problemas do transporte coletivo de Goiânia.

Herbert de Moraes criou um jornal para ser, mais do que moderno, eterno. Sobretudo, ele queria que o Jornal Opção fosse lido, pela qualidade do texto, com prazer. É o que se continua a fazer. É o que determina sua sucessora, a jornalista Patrícia Moraes.

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