Euler de França Belém
Euler de França Belém

Sai em português primeiro volume da verdadeira bíblia sobre Stálin, o ditador que matou 30 milhões

Livro conta a história do político que desenvolveu e dirigiu a União Soviética entre 1924 e 1953. O primeiro volume vai até 1928    

Fica-se com a impressão de que nós, leitores brasileiros, temos vocação para ditador, para a ditadura. Não há uma biografia decente do grande Franklin D. Roosevelt (perto dele, John Kennedy era frango de granja de frigorífico brasileiro; acrescente-se que Roosevelt governava seu país de uma cadeira de rodas), presidente dos Estados Unidos entre as décadas de 1930 e 1940 — foi eleito quatro vezes —, em português. Nenhuma — nem decente e nem indecente. A escrita por Roy Jenkins saiu em português, mas acrescenta muito pouco, porque o autor morreu antes de conclui-la ou de ampliá-la. “Tempos Muito Estranhos — Franklin e Eleanor Roosevelt: O Front da Casa Branca na Segunda Guerra Mundial” (Nova Fronteira, 654 páginas), de Doris Kearns Goodwin, embora não seja uma biografia, é muito melhor, com molho e histórias de bastidores muito bem contadas; até as fofocas são, quase sempre, ótimas. Roy Jenkins é autor, aí sim, de uma excelente biografia de Winston Churchill — “Churchill” (Nova Fronteira, 914 páginas) —, o primeiro-ministro britânico que, quando quase toda a Europa estava deitada, subjugada pelo nazista Adolf Hitler, da Alemanha, reagiu e contribuiu para convencer os Estados Unidos a participarem da Segunda Guerra Mundial (Pearl Harbor deu um empurrão, é claro). Há outras biografias qualificadas de Churchill em português. A de Boris Johnson, “O Fator Churchill — Como Um Homem Fez História” (Planeta do Brasil, 496 páginas), é de rara excelência. O inglês é um caso raro de democrata amado pelas editoras e, quiçá, pelos leitores.

Biografias de ditadores — ah, sim, os de esquerda (da direita, Hitler ganhou uma biografia decentíssima, a de Ian Kershaw) — sobram nas livrarias. Lênin, Stálin, Mao Tsé-tung e Fidel Castro são “amados” pelas editoras e pelos leitores. Stálin talvez seja o campeão. Há livros excepcionais sobre o ditador mais cruel do século 20, ao lado de Mao Tsé-tung. Simon Sebag Montefiore escreveu dois livros seminais a seu respeito: “Stálin — A Corte do Czar Vermelho” e “O Jovem Stálin” (ambos pela Companhia das Letras). Agora sai “Stálin: Paradoxos do Poder — 1878-1928” (Objetiva, 1112 páginas, tradução de Pedro Maia Soares), de Stephen Kotkin. Apesar do número de páginas, trata-se tão-somente do primeiro volume; no total, são três volumes. A obra é apontada como a verdadeira bíblia sobre o político que, como líder do Partido Comunista e da União Soviética, autorizou o assassinato de cerca de 20 milhões a 30 milhões de pessoas.

A obra de Stephen Kotkin resulta de uma pesquisa exaustiva, que durou dez anos. O historiador consultou os arquivos soviéticos (e de outros países) de maneira minuciosa. Por isso, sua biografia, além da mais extensa, é mencionada como a mais completa sobre o político que dirigiu a União Soviética, com mão de ferro — Stálin, por sinal, significa aço, homem de aço, pois —, de 1924 a 1953, quando morreu. O historiador mostra que, embora fosse capaz de construir — fez uma revolução industrial em pouco tempo, foi decisivo na luta para derrotar o nazista Adolf Hitler e construiu a bomba atômica —, o líder bolchevique era, acima de tudo, um político da destruição. Mas, de fato, construiu a segunda grande potência do século 20 — a União Soviética.

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