Euler de França Belém
Euler de França Belém

Sai biografia de Jacob do Bandolim, mestre dos mestres

Filho de ex-prostituta e cafetina judia polonesa, Jacob do Bandolim brilhou tanto sozinho quanto acompanhando outros artistas

Diga rápido: você se considera um bom sujeito? Pode até ser. Mas, se quiser mesmo se tornar um grande sujeito, dos melhores, é preciso ouvir Jacob do Bandolim solando ou acompanhando Elizeth Cardoso cantando a música “Barracão”. É simplesmente extraordinário. Ouça e, garanto, você pode até não se tornar um grande sujeito, mas terá escutado música de primeira linha. O Bandolim era tão importante na vida de Jacob Pick Bittencourt que seu nome, para todo o sempre, foi mudado, claro, para Jacob do Bandolim. Sim, “do Bandolim”; é como se o Bandolim tivesse se tornado o senhor de sua vida.

O músico excepcional, com o qual muitos aprenderam, inclusive os que não o citam — o que não é o caso do gigante Hamilton de Holanda, que o aprecia — ganha, finalmente, uma biografia alentada, “Jacob do Bandolim — Um Coração Que Chora” (Editora Noir, 672 páginas), que chega às livrarias no dia 10 de dezembro de 2020. Seu autor é o experimentando Gonçalo Junior, autor de várias outras biografias (ele escreve tanto que cheguei a pensar que Gonçalo Júnior era uma “fábrica” de livros; espero que mantenha a qualidade de seu trabalho).

Jacob do Bandolim: um dos reis da música no Brasil | Foto: Reprodução

Leia a sinopse da editora

“Jacob Pick Bittencourt, o Jacob do Bandolim, tinha um segredo que não mediu esforços para esconder ao longo dos seus breves, porém intensos, 51 anos de vida: o fato de ser filho de uma ex-prostituta e cafetina judia polonesa que atuava no boêmio bairro da Lapa. Isso fez com que o futuro gênio do choro crescesse em um ambiente pouco recomendado do ponto de vista moral, além de criado por uma mãe opressora. Não impediu, no entanto, que ele tivesse uma existência no extremo oposto, irrepreensível como escrivão criminal e uma das mais impressionantes carreiras da história da MPB.

Jacob do Bandolim com Elizeth Cardoso | Foto: Reprodução

“Temperamental, irascível, implicante, de uma sinceridade que muitas vezes lhe trazia problemas irremediáveis, desafetos e inimigos, perfeccionista em seus ensaios e nos discos que gravava, o mulherengo Jacob foi um talento raro que viveu intensamente cada segundo. Dizia que as cordas do seu bandolim não eram de aço, mas feitas das fibras do seu coração. O mesmo órgão que o matou, aliás, ajudado pelo comportamento passional e emotivo 24 horas por dia, e que fez dele um dos personagens mais intensos e interessantes da música brasileira. Em paralelo a uma vida tão intensa, Jacob deixou uma obra singular, irretocável na história do choro.

“Tudo isso está contado em detalhes nesta biografia indispensável.”

Indispensável, claro, não sei é. Mas, como Jacob do Bandolim, é indispensável, a biografia  também tende a ser. Ouça o seu solo na música “Barracão” (abaixo) e me diga: é ou não é um gênio da música? Sim, concordo com você: é genial.

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