Euler de França Belém
Euler de França Belém

Rolling Stone e repórter divulgam falso estupro e terão de pagar indenização de US$ 3 milhões

A revista americana publicou reportagem depreciando a Universidade da Virginia, não apresentou provas do que divulgou e foi condenada pela Justiça

Sabrina Rubin Erdely: autora de uma reportagem sobre um estupro que não teria acontecido

Sabrina Rubin Erdely: autora de uma reportagem sobre um estupro que não teria acontecido

Um jornalista pode cometer vários tipos de erros. Um deles é acreditar numa fonte, supostamente confiável, e publicar uma informação falsa. Outro é inventar reportagens, como já aconteceu no “New York Times” — Jayson Blair forjava e plagiava matérias — e jornais menos importantes. Não sei exatamente o que aconteceu com a repórter Sabrina Rubin Erdely, autora da reportagem “Um estupro no campus”, publicada na respeitada revista norte-americana “Rolling Stone”.

O fato é que a reportagem alcançou ampla repercussão. Um jovem estudante da Universidade da Virginia, nos Estados Unidos, teria sofrido um estupro coletivo — o que abalou a unidade de ensino e o país. No entanto, uma investigação rigorosa da polícia e uma investigação da própria da própria universidade não constatou a veracidade do estupro. Não há estupradores e não há estuprada — constatou-se. Em abril de 2015, por não ter sido capaz de comprovar sua publicação, a “Rolling Stone” se retratou.

A retratação não impediu, porém, uma ação judicial, pela qual a revista e a repórter Sabrina Rubin Erdely foram condenadas pelo tribunal de Justiça de Charlottesville a pagar indenização de 3 milhões de dólares à vice-decana de estudantes, Nicole Erasmo. A jornalista pagará 2 milhões de dólares e a “Rolling Stone” pagará 1 milhão de dólares. A publicação havia sustentado que os diretores da Universidade da Virginia não teriam investigado a acusação. Ocorre que, mesmo sendo ficção, na qual a revista acreditou ou quis acreditar, a universidade havia investigado a “denúncia”.

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