Euler de França Belém
Euler de França Belém

Record lança livro sobre campo de concentração que nazistas reservaram exclusivamente para mulheres

Passaram por Ravensbrück 130 mil mulheres de mais de 20 países europeus. Inclusive uma sobrinha de De Gaulle e uma irmã de um político dos EUA

Agiganta-se no Brasil o melhor da historiografia sobre a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto. O portento “A Destruição dos Judeus Europeus” (1664 páginas, dois volumes), de Raul Hilberg, saiu, no ano passado, pela editora Amarilys. Outros livros: “Holocausto — História dos Judeus da Europa Durante a Segunda Guerra Mundial” (Hucitec, 1022 páginas, tradução de Samuel Feldberg e Nancy Rozenchan), de Martin Gilbert, e “A Alemanha Nazista e os Judeus — Os Anos de Extermínio, 1939-1945” (Perspectiva, 840 páginas, tradução de Lyslei Nascimento, Josane Barbosa, Maria Clara Cescato e Fany Kon), de Saul Friedlander. (Há uma edição portuguesa de “Auschwitz — Os Nazis e a ‘Solução Final’”, de Luarence Rees, Editora Dom Quixote, 425 páginas, tradução de Clara Fonseca e Lídia Geer.) “Heinrich Himmler — Uma Biografia” (Objetiva, 911 páginas, tradução de Angelika Elisabeth Köhnke, Christine Röhrig, Gabriele Ella Elisabeth Lipkau e Margit Sandra Bugs), de Peter Longerich, é, além da mais bem documentada biografia de um dos arquitetos da Solução Final, uma notável história da Alemanha no século 20 (até 1945). Faltava em português um livro de qualidade sobre Ravensbrück. Não falta mais. “Ravensbrück — A História do Campo de Concentração Nazista Para Mulheres” (Record, 940 páginas, tradução de Cristina Cavalcanti), de Sarah Helm, chega finalmente às livrarias patropis.

Por Ravensbrück passaram 130 mil mulheres de vários países europeus. Estiveram lá uma sobrinha do general francês Charles de Gaulle e uma irmã de um prefeito de Nova York. Sarah Helm entrevistou sobreviventes e pesquisou a documentação a respeito do campo de concentração.

Sarah Helm: estudiosa do Holocausto

Outros livros que podem contribuir para o entendimento da Segunda Guerra Mundial

– “A Segunda Guerra Mundial” (Bertrand, 1095 páginas, tradução de Fernanda Oliveira), de Antony Beevor. Neste livro, o historiador britânico mostra, com fartos dados, que a guerra foi de fato mundial e pode ter começado não na Europa, mas na Ásia. A crueldade japonesa surpreende. Os japoneses chegavam a comer americanos e outros prisioneiros como se fossem gado.

– “A Tempestade da Guerra — Uma Nova História da Segunda Guerra Mundial” (Record, 811 páginas, tradução de Joubert de Oliveira Brízida), de Andrew Roberts. O historiador britânico mostra que o Holocausto, além de uma desumanidade, foi contraproducente para a economia alemã. Frisa o autor: “O Holocausto foi um erro militar, pois desviou meios ferroviários de monta e tropas SS, mas, sobretudo, porque privou a Alemanha de milhões de trabalhadores potencialmente produtivos e de prováveis soldados”.

– “Hitler” (Companhia das Letras, 1160 páginas, tradução de Pedro Maia Soares), de Ian Kershaw. Trata-se de uma edição condensada pelo historiador inglês. A edição integral saiu, em inglês e em espanhol, em dois volumes. É a mais ampla e perceptiva biografia do criador do nazismo. Kershaw é peremptório: o cabo austríaco que mesmerizou e levou os alemães à guerra morreu mesmo em 1945. E observa que, se cometeu erros, não era tolo nem maluco.

– “Europa na Guerra — 1939-1945” (Record, 602 páginas, tradução de Victor Paolozzi), de Norman Davies. O livro faz um balanço excelente das principais publicações sobre a Segunda Guerra Mundial e comenta até obras literárias e filmes que tratam do assunto. Ele manda “O Resgate do Soldado Ryan” para o raio que o parta… E mostra quais filmes realmente examinam a guerra com mais precisão.

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