Euler de França Belém
Euler de França Belém

Ratos trocam “socos” e um gato só observa. História é kafkiana mas real

Ante a plateia de um só espectador, dois ratos lutam jiu-jitsu e se mostram artistas do boxe. Quem perdeu? Talvez o gato

Kafka, na novela “A Metamorfose”, escreveu uma história que, com conteúdo diferente, desperta dúvidas sobre seu sentido ou sentidos similares a “Dom Casmurro”, de Machado de Assis. Neste romance, tão bem urdido que é praticamente impossível achar uma peça solta, o narrador Bentinho, até por ser o narrador, é suspeito. Entretanto, mesmo ele contando, e contando bem, o leitor não sabe se sua mulher, Capitu, o traiu ou não com o amigo Escobar. O prosador patropi deixou ao leitor o direito de julgar, de ser o magistrado da história. Portanto, a história do adultério ou do não-adultério fica a critério dos leitores. Pode-se dizer, então, que, dependendo do leitor, de sua formação, Capitu traiu ou Capitu não traiu. Já no autor tcheco, que escrevia em alemão, o que efetivamente significa o inseto, ou o que nos diz o homem que se torna um inseto monstruoso? Trata-se da burocracia do mundo moderno? Trata-se do que o homem pode se tornar ou se tornou, ao longo da história? Ou é uma mera fábula de um extraordinário pós-La Fontaine?

Machado de Assis e Kafka são “enigmas” — como suas obras. O que diria o tcheco, um advogado, sobre a briga de dois ratos ante a plateia de um gato? Não sabemos, mas possivelmente o escritor, um gigante de quase dois metros, riria e escreveria um conto ou romance.

Um morador de Cingapura, rico país da Ásia, flagrou e filmou dois ratos brigando, aparentemente trocando tapas, como se fossem dois lutadores de MMA (fica-se com a impressão de que há uma mistura de artes marciais: jiu-jitsu e boxe. O muay thai fica para a próxima). A certa distância, um gato observa, quiçá intrigado, o animado quiproquó. O bichano poderia interferir, considerando que os ratos aparentemente, de tão concentrados, estão distraídos em relação ao seu entorno. Mas não: o gato assiste a peleja e não age. Os ratos brigam, surram-se e, de repente, cada um sai para um lado. Viram o gato? É provável. Ou talvez tenham se cansado. Quem ganhou? Dana White diria, por certo, que houve empate técnico. Mas, sim, houve um perdedor: o gato observador não pegou ninguém. Teria apreciado a luta? Quem sabe. Mas ficou de pança vazia.

Assim que postado, o vídeo da luta, que ocorreu num estacionamento, viralizou.

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