Euler de França Belém
Euler de França Belém

Publicidade da Abraji denuncia violência contra jornalistas

Mas não basta denunciar de maneira vaga. É fundamental nominar e processar os agressores

Recentemente, um sindicalista “recomendou” a um jornalista de televisão que não fizesse a cobertura de um fato que, em tese, prejudicaria pessoas supostamente ligadas ao PT. O sindicalista alega que estava tentando proteger o colega, mas sua fala soou como intimidação. Manifestantes, aparentemente mais de esquerda, têm pressionado e ameaçado jornalistas de jornais e de emissoras de televisão e rádio. Chegam a expulsá-los e a empurrá-los. O livre exercício da profissão está, portanto, em risco. Por isso, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) — sindicatos da categoria deveriam seguir o exemplo — lançou uma campanha publicitária com o tema “Se a notícia é a violência contra jornalistas, temos um problema”.

Formulada pela agência Ogilvy, a peça publicitária denuncia a agressões contra jornalistas A Abraji informa que, de junho de 2013 ao início de 2018, há registro de 300 agressões a jornalistas que cobriam manifestações (políticas, notadamente). Em 2018, as agressões somam 56. Neste ano, um jornalista foi assassinado no exercício da profissão.

Sugestão para a Abraji

A Abraji e os sindicatos da categoria — que não podem ser omissos — deveriam verificar a origem das agressões e processar os agressores. Não basta denunciar, fazer críticas — é preciso contribuir para penalizar os agressores, que têm nome e CPF. É provável que os agressores, em certos casos, são os mesmos. No contexto de manifestações, se tornando integrantes das massas, há indivíduos que avaliam que sua responsabilidade está diluída e, por isso, podem fazer qualquer coisa. Com processos judiciais, com a responsabilidade apresentada e provada por imagens e testemunhos, é provável que o número de agressões diminua. Sem ações judiciais, as peças publicitárias, embora importantes, vão se tornar meras satisfações para os jornalistas, que continuarão sendo agredidos e, até, impedidos de fazer o seu trabalho.

Contra a ação não democrática de certos manifestantes, uma ação democrática: processos judiciais. Se as associações que representam jornalistas querem reduzir (e até acabar com) as agressões, é preciso tomar medidas mais duras — como o recurso ao Poder Judiciário.

De qualquer maneira, a ação da Abraji é correta e merece o aplauso da categoria.

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claudio curado

O colunista, amigo ao qual muito respeito, está um tanto desinformado. Há anos a FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas – e seus sindicatos filiados tem atuado na divulgação de denúncias de agressões e outras violências (como assédio moral,por exemplo) contra os jornalistas. Hoje o mais antigo e respeitado (e copiado) relatório anual de violência é feito pela Federação, e que tem dados divulgados por outras entidades sem o devido crédito. Alem disto, no caso de Goiás, em todas as vezes que nos deparamos com violências a ação do Sindjor foi rápida. Colegas de cidades da capital e do interior… Leia mais