Euler de França Belém
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Psiquiatra apontado como “racista” é condenado pela Justiça do DF a pagar indenização de 50 mil reais

Heverton Octacílio de Campos Menezes disse que Marina Serafim dos Reis “deveria estar na África cuidando de orangotangos”

Justiça condena psiquiatra a pagar R$ 50 mil por injúria racial

[Marina Serafim e Heverton Octacílio; fotos do Correio Braziliense]

 

“O seu lugar não é aqui, lidando com gente, por isso você é dessa cor. Você deveria estar na África cuidando de orangotangos.” As palavras são do psiquiatra Heverton Octacílio de Campos Menezes e foram dirigidas à jovem Marina Serafim dos Reis, atendente do Cine Cultural do Shopping Liberty Mall, em Brasília. A garota, que o havia atendido com educação, ficou desconcertada e chorou. Várias pessoas presenciaram a cena — escandalizadas. Na quarta-feira, 2, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios condenou o psiquiatra a pagar 50 mil reais, por injúria racial, a Marina Serafim dos Reis. O médico pode recorrer.

Heverton Octacílio queria “furar” a fila e a atendente não permitiu, o que gerou o ato racista. Ele alega que, como idoso, tinha a preferencial. O desembargador Sebastião Coelho, relator do processo, não concordou com sua tese. O magistrado sublinhou que as afirmações do réu “retratam um descaso reiterado com os direitos fundamentais alheios e, via de consequência, com a justiça. Esse comportamento reprovável demanda a necessidade de que haja uma firme e urgente resposta do Poder Judiciário em favor da vítima considerada vulnerável, atacada verbalmente em seu local de trabalho com expressões desrespeitosas que a inferiorizavam em decorrência da cor da sua pele”.

O TJDFT já havia condenado o psiquiatra, pelo crime de injúria racial, a uma pena de um ano e quatro meses de prisão, mas em regime aberto, além de 12 dias de multa. O médico recorreu da sentença.

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