Euler de França Belém
Euler de França Belém

Poema Um aviador irlandês prevê a morte, de W. B. Yeats, em traduções de Nelson Ascher e Jorge Wanderley

yeats.600

 

Um aviador irlandês prevê a morte

W. B. Yeats

Encontrarei meu fim no meio

das nuvens de algum céu sobejo;

os que combato, eu não odeio.

também não amo os que protejo;

Kiltartan Cross é meu país,

seus pobres são a minha gente,

nada a fará mais infeliz

do que já era, ou mais contente.

Não é por lei ou por dever,

turba ou políticos, que luto,

mas pelo afã de me entreter,

a sós, nas nuvens em tumulto.

Tudo na mente foi pesado:

nada que espere ou que recorde

vale-me a pena comparado

com esta vida ou esta morte.

[William Butler Yeats (1865-1939), poeta, dramaturgo, critico e ficcionista irlandês. O poema foi extraído do livro “Poesia Alheia — 124 Poemas Traduzidos” (Imago, 378 páginas), do poeta, crítico e tradutor Nelson Ascher. Pode ser conferido na página 99]

 

Um aviador irlandês prevê sua morte

W. B. Yeats

O meu destino, sem receio

É entre as nuvens que eu o vejo:

Aos que combato, eu não odeio,

Nem amo aqueles que protejo.

Eu sou lá de Kiltarten Cross.

Um dos seus pobres habitantes:

Termine a guerra e logo após

Eles serão como eram antes.

Não luto por lei ou dever,

Políticos ou multidão.

Um doce impulso deu-me a ver

As nuvens e seu turbilhão.

Avaliei tudo: no final

O que há por vir não muda a sorte,

E o que passou fez tanto mal

Quanto esta vida ou esta morte.

[Poema extraído do livro “22 Ingleses Modernos — Antologia Poética” (Civilização Brasileira, 162 páginas), organização, tradução e notas de Jorge Wanderley. O texto pode ser conferido na página 33.]

 

Na Irish Airman foresees his Death

W. B. Yeats

I know that I shall meet my fate

Somewhere among the clouds above:

Those that I fight I do not hate

Those that I guard I do not love;

My country is Kiltartant’s poor,

No likely end could bring them loss

Or leave them happier than before.

Nor law nor duty bade me fight,

Nor public men, nor cheering crowds.

A lonely impulse of delight

Drove to this tumult in the clouds;

I balanced all, brought all to mind,

The years to come seemed waste of breath,

A waste of breast the years behind

In balance with this life, this death.

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