O forte do articulista é mesclar “reportagem” com “opinião”. Seus textos são ancorados em fatos, que destrincha como poucos. Não é mera opinião

A “Folha de S. Paulo” demitiu Janio de Freitas, o Pelé do jornalismo patropi, alegando contenção de despesas. Há quem postule que a razão foi ideológica: o jornalista de 90 anos supostamente estaria alinhado com o governo do presidente Lula da Silva. O mais provável é que o notável profissional não estivesse alinhado com aqueles que avaliam que fazer jornalismo é criticar por criticar.

Felizmente, Janio de Freitas não ficou desempregado por muito tempo. Ele foi contratado pelo excelente portal Poder360, que, várias vezes, sai na frente de jornais como “Folha”, “Estadão” e “Globo”, e com uma estrutura bem menor, mas com jornalismo de primeira linha.

Janio de Freitas começará a escrever na sexta-feira, 20. Será minha parada obrigatória: Estação Janio de Freitas, número 10. Nem sempre concordo com aquilo que o jornalista escreve, mas tiro proveito, algum proveito, da leitura de seus artigos. Há uma independência visceral, um pensamento divergente e um rigor conceitual, que me agrada.

De acordo com o Poder360, “as contribuições dele serão semanais, com eventuais colaborações extras sobre a conjuntura do poder”. Espero que se tornem diárias. Janio de Freitas sempre tem o que dizer, e o faz muito bem.

Janio de Freitas é um brilhante articulista, não há o que contestar. Mas o forte dele é mesclar “reportagem” com “opinião”. Seus textos são ancorados em fatos, que ele destrincha como poucos. Não é mera opinião.