Pilotos brasileiros quase bombardearam a Venezuela a serviço de Rafael Trujillo

Os pilotos participaram da Segunda Guerra Mundial, ao lado dos Aliados, e depois passaram a servir ao ditador da República Dominicana

Iúri Rincon Godinho

Eis um livro que vale leitura: “A Serviço do Generalíssimo — Os Pilotos Brasileiros na República Dominicana” (C&Editorial, 204 páginas), de Helio Higuchi.

Trata-se de uma história maluca que passa longe dos registros comuns da historiografia nacional: um grupo de pilotos brasileiros que prestaram serviços nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) é desprezado pela aviação brasileira no pós-batalha. Então aparece uma oportunidade de… bombardear a Venezuela. Isso mesmo, e sob o comando do generalíssimo Rafael Leónidas Trujillo Molina, ditador que governou a República Dominicana de 1930 a 1961, quando foi assassinado — não sem antes acumular uma enorme fortuna.

O bombardeio à Venezuela foi abortado, mas os pilotos brasileiros fizeram fama e dinheiro trabalhando para o ditador em missões de treinamento e de patrulha do espaço aéreo daquele país. Se apenas ficassem no chão recebiam mil dólares por mês naqueles anos 1940, o que dá mais de 20 mil dólares hoje. Se tivessem alguma missão militar, mais 10 mil dólares. Tornaram-se íntimos do ditador (que os adorava) e do filho deste, Ramfis, um playboy que dava presentes caros a atrizes de Hollywood e barbarizava junto com outro da mesma estirpe, Porfirio Rubirosa (dom juan que fez sucesso também em Paris, dirigindo carros loucamente e conquistando belas mulheres).

Helio Higuchi: pesquisador | Foto: Reprodução

Helio Higuchi entrevistou um dos pilotos que participaram da aventura — sim, absolutamente real.

O livro é extremamente técnico, com foco nos modelos de aviões que pilotaram, já que esta editora (que não encontrei mais na internet) é (ou era) especialista em aviação.

Moral da história: as portas da oportunidade são diversas. Basta saber olhar e, se preciso, ter coragem para entrar.

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