Elder Dias
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Editor-executivo

Pergunta “diferente” de repórter esportivo revela “ser humano” Abel Ferreira

Técnico do Palmeiras aproveitou questionamento para dar sua visão sobre como jogadores de futebol devem cuidar de si mesmos e de seu futuro

Abel Ferreira, do Palmeiras, é um treinador que pensa além do futebol | Foto: Divulgação

Até tempos atrás, havia uma certa desqualificação da imprensa esportiva, como se fosse um setor “menor” do jornalismo. Dizia-se que as editorias de Esporte e de Polícia eram onde se colocavam os “focas”, aqueles repórteres iniciantes no ofício, para ganharem estofo para mais tarde, então, assumirem funções em áreas mais nobres da redação.

O fato é que há, ainda hoje, mesmo uma certa monotonia nas entrevistas esportivas, o que, muitas vezes, é creditado à baixa qualificação do entrevistado, que tem sempre o mesmo discurso. Uma meia verdade que já foi contestada por ninguém menos que o meia Sócrates, craque lendário do Corinthians e da seleção brasileira.

Sócrates era conhecido por sua intelectualidade e engajamento em causas sociais. Exceção das exceções no meio do futebol, ele se formou em Medicina para, só depois, se dedicar integralmente aos gramados. Certa vez, talvez pensando que o médico poderia dar um diagnóstico preciso sobre o dilema, um repórter lhe perguntou por que todo jogador sempre respondia as mesmas coisas ao microfone. O “Doutor” replicou, sagaz: “Porque vocês sempre perguntam as mesmas coisas.”

Rodrigo Fragoso, do canal TNT Sports, não é desse time “acusado” por Sócrates. E fez, de uma entrevista rotineira do técnico do Palmeiras, Abel Ferreira, uma discussão profunda sobre humanidade, profissionalismo e responsabilidade com o próprio futuro.

Veja o vídeo com a pergunta e a resposta do treinador:

À beira do campo, Abel é tido como um profissional temperamental. Para muito, o que antigamente se chamava de “chato de galochas” – um “pentelho”, para os mais novos. Mas ninguém nega sua competência profissional, que já levou o Palmeiras a inúmeras conquistas nos últimos anos, entre elas duas Copas Libertadores.

Mas a visão além-futebol que ele faz chegar a seus comandados é fruto de um abrir de janela que só é possível quando se percebe o mundo como algo maior do que o simples ato técnico de “saber fazer”. O problema, no futebol, é que há uma grande dificuldade em ter uma discussão mais profunda, porque se toma como base o preconceito de que isso não é possível com pessoas que, em tese – na verdade, puro preconceito –, não teriam conteúdo cultural para tanto.

Abel Ferreira provou que futebol não é só futebol.

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