Euler de França Belém
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Pacquiao, o notável boxeador das Filipinas, luta contra Jessie Vargas. Deve tomar o título

Manny Pacquiao, o fenomenal boxeador das Filipinas, vai lutar contra Jessie Vargas, cujo maior talento é ser jovem

Manny Pacquiao, o fenomenal boxeador das Filipinas, vai lutar contra Jessie Vargas, cujo maior talento é ser jovem | Foto: Divulgação 

Pacman é um fenômeno: jamais recua e, se estiver bem e motivado (pela bolsa milionária), dificilmente perde

 

Manny Pacquiao fará 38 anos em dezembro, mas, quando entra no ringue, parece um garoto de 22 anos. É dos boxeadores que raramente recuam. Ele parte para cima, com uma energia que surpreende tanto os adversários quanto aqueles que assistem suas lutas, que são verdadeiras batalhas. Pacman pode até sair muito machucado, já levou um nocautaço impressionante (para o fabuloso pegador Juan Manuel Márquez), mas não retrocede. É um centroavante do boxe. Suas lutas nunca são monótonas. São vivas, ativas, prazerosas. Uma pintura de Salvador Dalí misturada com uma pintura de Picasso.

Como se sabe, Pacquiao é senador nas Filipinas, mas o que ele sabe mesmo fazer não é política. Seu metier é o boxe. A política é sua atividade de semi-aposentado. Como quase todos os lutadores, sobretudo os que se aproximam dos 40 anos — é o momento em que começam a se tornar sacos de pancada e, portanto, escadas para boxeadores mais jovens e afoitos —, Pacman vive anunciado a aposentadoria. Mas aí, como ninguém é de ferro — nem o impoluto José Aldo é (obviamente, até por ser jovem e ainda não ter feito um pé de meia adequado para os tempos de vacas magérrimas, não se aposentará agora nem daqui a cinco anos) —, o espetacular filipino sempre desaposenta-se. Em abril, depois de derrotar Timothy Bradley — que, falando nisso, não é nenhuma galinha morta —, anunciou a aposentadoria. Nós, seus admiradores, ficamos tristes, mas, ao mesmo tempo, alegres, porque sabíamos que as bolsas do boxe, muito mais do que as bolsas do MMA, são irrecusáveis. Eu mesmo aceitaria apanhar de Pacquiao e Floyd Mayweather Jr. por uma bolsa “simbólica” de 10 milhões de reais. Pensando bem, como tomo anticoagulante, dada a trombofilia, não posso apanhar nem mesmo para receber 10 milhões de dólares.

Pois bem: deixemos a enrolação de lado, e o nariz de cera — que, valha-nos Deus, já virou corpo de cera —, e vamos ao essencial. Ah, sim, lembrei: Pacquiao, o pequeno grande homem, o Muhammad Ali mignon, luta no sábado, 5, contra Jessie Vargas. “Decidi voltar, pois quero fazer mais história no boxe. Quero mais recordes”, afirma Pacman. Bonitas, não?, suas palavras. Mas tão verdadeiras quanto diamantes vendidos em camelódromos. Os olhos de boxeadores experimentados, entrados nos anos, só brilham mesmo quando ficam sabendo o valor da bolsa.

Jessie Vargas, que não é parente de Getúlio, o presidente patropi, é dono do título que, se estiver em forma, Pacquiao vai tomar na noite deste sábado.

O que se espera mesmo é que, em seguida, Pacquiao enfrente o bailarino do boxe Floyd Mayweather, que, embora brilhante, quiçá incomparável hoje, não me alegra tanto ver lutar quanto me espanta e surpreende o pequeno filipino. Os dois vão se enfrentar, daqui a algum tempo, se as bolsas de ambos forem convidativas — e sempre são.

Como diria o Ricardo Tavares, lutador de MMA e comentarista esportivo de primeira linha, quem não gosta de Pacquiao bom sujeito não é ou deixa de ser.

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