Oscar Pilagallo é um jornalista que se tornou historiador dos mais competentes, com a vantagem de que escreve muito bem, com clareza e sem jargões acadêmicos (da academia sobra o rigor na amostragem e na interpretação dos fatos).

Dante de Oliveira: o maestro das Diretas Já | Foto: Reprodução

O período em que brasileiros discutiram as Diretas Já, cobrando sua aprovação como se multidões fossem o Congresso do Povo, tem algo de mágico, de reencontro entre as ruas e a política. Aquela magia típica da democracia, em que os indivíduos acreditam que, num curto espaço de tempo, se poderá processar grandes mudanças. Na época, com 23 anos, fui às ruas de Goiânia e à Praça Cívica para apoiar o projeto de Dante de Oliveira, espécie de Jesus Cristo de então. Eu, como todos os demais, fervilhava de entusiasmo. Era formado em História pela Universidade Católica de Goiás (UCG) e fazia Filosofia e Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG).

Comício das Diretas Já em Goiânia | Foto: Reprodução

O projeto das Diretas Já caiu, mas o ambiente popular, com manifestações pacíficas e fervorosas, certamente contribuiu para a eleição de Tancredo Neves. A movimentação das ruas disse a todos, sobretudo aos políticos e militares, que o povo — unido pela ideia de retomada da democracia — queria mudança. As Diretas Já, de alguma maneira, derrotaram Paulo Maluf para Tancredo Neves. O país, reunido na praça, esclareceu a todos: não queria a continuidade da ditadura, ou seja, rejeitava Paulo Maluf. Parece que todos entenderam e o político das Minas Gerais foi eleito, com facilidade, no Colégio Eleitoral (claro, houve alguma “luta” nos bastidores).

As Diretas Já, a festa cívica das ruas, ganha, finalmente, sua biografia: “O Girassol Que Nos Tinge: Uma História das Diretas Já — O Maior Movimento Popular do Brasil”, de Oscar Pilagallo. O livro, por certo imperdível, sairá pela Editora Fósforo.