Euler de França Belém
Euler de França Belém

Os brigões Augusto Nunes e Glenn Greenwald deveriam pedir desculpas aos brasileiros

Se não disserem que erraram, como os dois jornalistas poderão cobrar paciência dos demais brasileiros? Democracia é tolerância

O estúdio do Rádio Jovem Pan se tornou uma espécie de octógono. No corner vermelho, o meio-pesado Augusto Nunes, de 70 anos; no corner azul, o peso médio Glenn Greenwald, de 52 anos. A diferença de idade — 18 anos — caracteriza a luta como superluta, ou seja, lutadores de pesos diferentes se enfrentaram, por decisão própria, sem a mediação de Dana White. Mesmo de cabelos brancos, e fora de forma, o Spider de Taquaritinga “derrotou” (se é possível falar em “vitória”) o Selvagem de Nova York.

Augusto “Spider” Nunes bateu primeiro e os árbitros entraram no octógono e decidiram encerrar a luta — ante a “fúria” de Glenn “Selvagem” Greenwald. O patropi ganhou por nocaute técnico, aparentemente.

Brincadeira à parte, os dois jornalistas deram prova de falta de civilidade na quinta-feira, 8, no estúdio da Jovem Pan, em São Paulo. Glenn Greenwald disse que Augusto Nunes era covarde — porque sugeriu à Justiça que investigasse como o americano e seu marido brasileiro, David Miranda, deputado do Psol-RJ, cuidam dos filhos (o americano não teria entendido que se tratava de uma ironia) — e o comentarista da rádio e colunista da revista “Veja” deu-lhe um tapa na cara.

Glenn Greenwald avançou para revidar, mas foi contido. Mas não se pode dizer que foi surrado, porque o tapa não parece ter sido dado com tanta força. Sabendo que os dois jornalistas têm estopim curto, a Jovem Pan não deveria tê-los colocado muito próximos.

Como Glenn Greenwald, de esquerda, e Augusto Nunes, de direita, vivem numa democracia — ainda que meio incandescente (mas não como a do Chile) —, o melhor que os dois fazem é se processarem ou pedirem desculpas um ao outro. Agindo assim, estarão pedindo desculpas também aos ouvintes e telespectadores (sim, as cenas de pugilato fazem sucesso na internet).

Como os dois têm torcidas, ambas fundamentalistas, não será fácil o pedido de desculpas. Mas a cena mostra o quão o Brasil passa por um momento complicado, com os ânimos excessivamente exaltados. Um pouco de calma fará bem a todos nós. Se não pedirem desculpas, se não disserem que erraram, como os jornalistas poderão cobrar paciência dos demais brasileiros? Democracia, afinal, é sinônimo de tolerância. O debate entre correntes políticas diferentes, longe de enfraquecer, fortalece a tenra democracia patropi. Mas a esquerda e a direita não precisam se esmurrar. É mais saudável, para todos, que os contendores debatam ideias, mas sem recorrer aos punhos. O mau exemplo pode levar à barbárie — quando precisamos de civilização.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.