Uma coisa é certa: se o “Washington Post” tivesse ombudsman entre 1972 e 1974, a maioria das reportagens de Bob Woodward e Carl Bernstein teria sido vetada e o presidente Richard Nixon não teria renunciado em 1974. Quando começou a publicar as reportagens do Caso Watergate, a dupla de jornalistas não tinha segurança integral de que estava no rumo certo e que seus indícios eram consistentes. Mesmo assim, com incentivo do editor Ben Bradlee e da proprietária do jornal, Katharine Graham, seguiram em frente e, pouco a pouco, com acesso a documentos e fontes mais confiáveis, conseguiram estabelecer, de maneira inequívoca, a relação entre o arrombamento do escritório do Partido Democrata, no edifício Watergate, e o presidente Richard Nixon.

Em assuntos intricados, como o Caso Watergate e a corrupção sistêmica na Petrobrás, é muito difícil, senão impossível, ter todos os detalhes explicitados, com provas cabais, em uma ou mesmo em várias reportagens. Se os jornais e as revistas forem esperar o detalhamento do chamado Petrolão, a partir da conclusão da Justiça, o caso, além de ser esquecido, jamais será esclarecido integralmente. Ou alguém duvida que sem as denúncias publicadas pela imprensa — numa escalada —, na primeira metade da década de 1990, Fernando Collor teria sofrido impeachment? Sem as várias reportagens de jornais, como “Folha de S. Paulo”, “Estadão” e “O Globo”, e de revistas, como “Veja”, “Época” e “IstoÉ”, o mensalão teria avançado e seus articuladores teriam sido presos? Às vezes a imprensa precisa “puxar” e “esticar” determinadas denúncias, apresentando e costurando pontas, para que a sociedade — incluindo polícias, Ministério Público e Justiça — reaja de maneira exemplar.

O jornalismo sugerido pelos ombudsmen é acadêmico e, até, bonitinho. Mas repórteres que são escalados para investigar de fato, para escarafunchar a lama de certos políticos, executivos e empresários, sabem que este tipo de jornalismo róseo não investiga nem denuncia nada.

Ombudsmen não são “auxiliares” infalíveis de Deus e suas opiniões são tão questionáveis quanto as de quaisquer outros jornalistas. Não é uma voz neutra, isenta.