Euler de França Belém
Euler de França Belém

O que a sociedade deve fazer com o assassino de 13 anos que matou Tamires, jovem de 14 anos?

Assassino estaria preparado para matar duas pessoas. Tamires foi a primeira vítima. Só um esforço multidisciplinar pode ajudar na “recuperação” do jovem criminoso

Um adolescente de 13 anos, do qual não se sabe o nome — a lei não permite que seja publicado —, matou Tamires de Paula Almeida, de 14 anos. Os colegas e amigos contam que Tamires era dedicada aos estudos, era apaixonada por leitura e quase não saía de sua casa. O Assassino era arredio, não tinha amigos e sentava-se na última fileira da sala de aula. Não há nenhuma informação de que fosse um aluno exemplar. O advogado da família diz que o Assassino “não usava drogas e não tem problemas mentais” (informação extraída de “O Popular”). Por que, então, o Assassino retirou a vida de Tamires com sete facadas?

“O Popular” e o “Diário da Manhã” publicaram reportagens corretas, limitadas, obviamente, pela escassez de informações precisas.  “Matei porque tive vontade”, eis a verdade, quiçá insofismável, do Assassino. Ele queria matar e, segundo as fontes dos jornais, havia admitido que iria assassinar duas pessoas. Isadora, de 15 anos, disse à repórter Tatiane Barbosa, do “Diário da Manhã”: “Quando ela [Tamires] saiu da escola , passando por nós, ele [o Assassino] falou que não aturava o modo como ela andava”. Isadora acrescenta: “Ele não aceitava perder, partia para cima dos colegas. Ele não aparentava ter medo, fazia as coisas sem pensar nas consequências”. A jovem sugere que o Assassino participava de jogos, como o Baleia Azul. Teria até uma cicatriz no braço.

Tamires estava no lugar e hora errados? Não. O Assassino parece ter premeditado o crime. Os dois moravam no mesmo edifício. O Assassino no 12º andar e Tamires no quinto andar. Tamires não subiu ao 12º andar; pelo contrário, o Assassino desceu ao 5º andar, possivelmente para matá-la (ele sabia de seu horário escolar, por exemplo). A reportagem de “O Popular” relata que, à polícia, o Assassino teria dito que não conhecia Tamires. Por certo, não eram amigos, mas, morando no mesmo prédio e estudando na mesma escola, o mais provável é que se conhecessem sim. A fonte do “Diário da Manhã” contrapõe que o Assassino observava Tamires, inclusive não lhe agradava a sua maneira de andar (a felicidade, a beleza e a gentileza de Tamires, mais do que o jeito de andar, certamente não agradavam o Assassino, um ser casmurro e agressivo). O crime parece claramente premeditado.

Logo depois de matar Tamires, o Assassino decidiu, por algum motivo, ir à escola, no Jardim América, para contar à diretora e ao inspetor que havia cometido o crime. Estava sujo de sangue e com a faca numa mão. Não parecia assustado. Antes, dava a impressão de que estava se exibindo, que havia sido autor de uma façanha, não reprochável, e sim elogiável. Tanto que levou o inspetor e a diretora para verem seu “feito”.

Por enquanto, e nas conversas com a diretora, com o inspetor e com a polícia, o Assassino, aquele que havia listado o nome de duas pessoas que iria matar, não se diz arrependido. É provável que, por ter cumprido parcialmente a promessa — matou uma e não duas pessoas —, sinta-se “aliviado”. Mais tarde, sob orientação do advogado da família, provavelmente, adotará outro discurso — o de vítima, o de menor que não sabia o que estava fazendo. Sobretudo, dirá, quem sabe, que está arrependido.

“Recuperação”

Por ser menor, o Assassino, cuja agressividade parece não ser controlável, deverá ficar — se ficar — no máximo três anos “recolhido” ou “apreendido”. Se alegada alguma insanidade, o remeterão para algum tratamento. O mais certo é que logo estará nos edifícios, nas ruas e nas escolas. “Ele só tem 13 anos!”, dirão. De fato, é um adolescente, mas é, também, um Assassino e, como tal, deveria — deve — ser tratado pela sociedade e pela Justiça. Trata-se de uma ameaça à vida de outras pessoas — tanto que elaborou uma lista de assassináveis.

O que fazer com o Assassino? Não dá para desconsiderar que, apesar de ser um criminoso — e, pelo que disse, não por acaso —, que se trata de um adolescente, de um menino de 13 anos. Deve ser tratado com rigor, mas com a possibilidade de que há uma chance de recuperação. Só uma missão interdisciplinar — que envolva psiquiatra, psicólogo, assistente social, juiz, promotor de justiça, família — pode ajudá-lo a se “recuperar”. É preciso fazer uma tentativa de “reconstruí-lo”. Por que senão, ao ser devolvido às ruas, poderá cometer outros crimes. Quem sabe, um dia, no lugar de chamá-lo de Assassino (e, até, de psicopata), que é uma palavra dura mas verdadeira, possamos tachá-lo de Homem.

O promotor assassinado

Há alguns anos, um menor matou um funcionário do extinto Banco do Estado de Goiás (BEG). Degolou-o. “Apreendido”, foi levado para um Batalhão da Polícia Militar, onde deveria cumprir uma “pena” de três anos. Nesse período, seria “ressocializado”, “reeducado”. Antes de “cumprir” a “pena”, fugiu do batalhão e ganhou as ruas, envolvendo-se com assaltantes. Alcançada a maioridade, viu um homem estacionando o automóvel, num bairro de Goiânia, e decidiu abordá-lo. O homem não reagiu, deixou o carro e saiu às pressas. Mesmo assim, sem representar nenhuma “ameaça”, o criminoso o matou friamente. O assassinado era o promotor de justiça Divino Nunes — homem decente, profissional competente e extremamente pacífico.

10 Comment threads
1 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
10 Comment authors

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Janete

Fico pensando se fosse.minha filha. E fico pensando se fosse seu filho. Já pensou?

Xerock

O nome do assassino é Dickson?

Alice

Vi adolescentes do colégio dizendo que o nome é esse mesmo, Dixon ou Dickson…. quando entrar a fase do processo acredito que deve vazar, ou pelo menos as iniciais saberemos. Esse nome será arquivado. O tempo não nos fará esquecer.

Alice

Deveríamos pelo menos saber o nome completo dessa criatura, além de não pagar pelo que fez vai voltar pras ruas em anonimato, expondo a sociedade desinformada a risco.

Adalberto de Queiroz

Crime e castigo estão em desequilíbrio penal no Brasil.

Carolina

Se fosse meu filho eu mesma o mataria, igual aquela frase “filho de peixe, peixinho é…” eu botei no mundo, eu mesma tiraria essa desgraça da terra, Deus me perdoe, mas isso não é um adolescente é um demônio e merece ser punido com pena de morte!

Aline

“E se fosse seu filho?”
Se fosse meu filho eu teria era MEDO de te-lo em minha casa de novo, ainda mais tendo outros filhos, que é o caso da mãe dele. Eu jamais teria uma noite de sono tranquila com um psicopata em casa.
Queria ler mais matérias como essa, pena que a mídia é politicamente correta e cheia de mimimi.
A maioria da população é a favor da redução da maioridade penal, esse aí só vai ficar 3 anos “preso”. Pobre coitado, ele não sabe o que fez.

Morena Sidronio

Eu não acredito, mesmo, que esse garoto nunca tenha tido um comportamento psicopata antes, tipo, torturar e matar animais pequenos, machucas primos mais novos. Não acredito, mesmo. O que acontece é que os pais, atualmente, passam pouquíssimo tempo com seus filhos e, por isso, não acompanham de perto seu desenvolvimento. Esse menino não tem jeito. Se for solto, vai fazer de novo porque essa é a natureza dele, afinal de contas, é um psicopata …

Fabiana silva

Se ele fizesse isso com uma filha minha, eu ia atrás dele nem que fosse no inferno, com certeza ia me vingar dele, ia fazer justiça com minhas próprias mãos. Ele não é uma criança, é um monstro e não merece viver.

Franciano

Assassino cujo nome as autoridades escondem da sociedade,se chama Dixon,esse e o nome desse pequeno marginal.Acredito que todos tem o direito de ver a cara desse assassino,até mesmo para se prevenir porque daqui no máximo 3 anos estará solto e pronto pra fazer a proxima vitima que pode ser qualquer um de nós…

Sérgio Garin

O assassino é fruto do convívio familiar.