A Justiça Eleitoral terá, na disputa deste ano — para prefeito e vereador —, condições de proteger os candidatos e os eleitores dos perigos gerados com o uso de inteligência artificial? É provável que não.

Mesmo com o amparo da Polícia Federal e de outras instituições, a Justiça Eleitoral não conseguiu — e nem tinha como — combater, de maneira ampla, o festival de fake news nas redes sociais e na internet em geral no pleito de 2022.

O controle total, cobrado pela sociedade, é impossível. Pode se investigar e penalizar os casos mais ostensivos e graves. Mas não todos. Aliás, a maioria escapa a qualquer fiscalização. A estrutura pública, tanto física quanto tecnológica, por mais que seja qualificada, não tem como verificar o que ocorre, em sua integralidade, no mundo digital.

Este ano, nas eleições que envolvem todas as prefeituras e câmaras municipais do país, como se dará a verificação do uso da inteligência artificial na divulgação de desinformação maciça?

O Tribunal Superior Eleitoral, com o apoio dos Tribunais Regionais Eleitorais — e o auxílio prestimoso da Polícia Federal —, não terá a mínima possibilidade de fiscalizar e controlar o uso abusivo da inteligência artificial nas campanhas, pelo menos não de maneira abrangente e rápida.

O controle dos abusos tem de começar não no TSE, e sim nas empresas que geram inteligência artificial. Elas prometem mais controle, mas darão conta disto, ou melhor, estão realmente interessadas na questão, para além dos belos discursos?

Reportagem do “Washington Post”, traduzida pelo “Estadão” — com o uso de inteligência artificial —, frisa que “a tecnologia em ascensão pode aumentar a desinformação”. A possibilidade de “uma enxurrada de falsificações por IA” não é nada remota.

Sam Altman, da OpenAI, disse, no registro do “Post”, “que se preocupa com a possibilidade de políticos ou agentes mal-intencionados abusarem da tecnologia para influenciar as eleições”.

Vanderlan Cardoso, Jânio Darrot, Adriana Accorsi e Bruno Peixoto estão preparados para uma eleição na era da inteligência artificial? | Fotos: Jornal Opção

Apesar de toda a estrutura do empreendimento que dirige, Sam Altman disse, sublinha o “Post”, “que a OpenAI ainda não sabe quais ameaças eleitorais surgirão este ano, mas que tentará fazer mudanças rapidamente e trabalhará com parceiros externos”.

A OpenAI “lançou um conjunto de proteções eleitorais, incluindo um compromisso de ajudar as pessoas a identificar quando as imagens foram criadas por seu gerador Dall-E”. Sam Altman sublinhou: “Estou nervoso com isso e acho que é bom que estejamos nervosos com isso”. Estaria mesmo?

Uma segunda reportagem do “Post” informa que “a OpenAI disse que começará a colocar marcas d’água — uma ferramenta para detectar fotografias criadas por IA — em imagens feitas com seu gerador de imagens Dall-E”. Numa postagem, a OpenAI posicionou-se: “Trabalhamos para antecipar e evitar abusos relevantes — como ‘deep fakes’, operações de influência ou chatbots que se fazem passar por candidatos”.

Google e a Adobe, do Photoshop, também informaram que “usarão marcas d’água em imagens geradas por suas ferramentas de IA”. Porém, o “Post” esclarece que “a tecnologia não é uma cura mágica para a disseminação de imagens falsas de IA. As marcas d’água visíveis podem ser facilmente cortadas ou editadas. As marcas d’água criptografadas incorporadas, que não são visíveis ao olho humano, podem ser distorcidas simplesmente virando as imagens ou mudando sua cor”.

O fato é que as empresas que geram inteligência artificial, assim como a Justiça Eleitoral — e não só esta —, ainda não sabem como fiscalizar o uso danoso da nova tecnologia em eleições.

Disputa eleitoral em Goiás e AI

Na campanha deste ano, em Goiás e nos outros Estados, os partidos terão de montar seu sistema pró e contra a IA. Quem não o fizer será pego de surpresa. Aliás, mesmo se criar uma rede de proteção, terá dificuldade de combater a desinformação — cada vez mais bem elaborada, crível e rápida.

Pré-candidatos a prefeito de Goiânia, Adriana Accorsi, Bruno Peixoto, Gustavo Gayer, Jânio Darrot e Vanderlan Cardoso, e de Anápolis, Antônio Gomide, Márcio Corrêa, Márcio Cândido e Hélio Lopes, terão de montar suas estruturas de proteção.

Não se terá proteção total, mas pelo menos é preciso estar preparado para respostas imediatas — tanto nas redes sociais quanto nos veículos sérios da imprensa. Não só. Será preciso ser rápido na busca de ações na Justiça, inclusive com amparo do Ministério Público. Os políticos citados terão de criar seus serviços de inteligência para evitar danos mais graves às suas campanhas e imagens pessoais.

Quem não montar seu sistema pró e contra a IA poderá ser pego de surpresa nas eleições deste ano.