O Prêmio Nobel Joseph Stiglitz sugere que Portugal saia do euro para recuperar sua economia

05 setembro 2016 às 16h50

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“A Europa devia começar a pensar num divórcio amigável com alguns países. Não será um processo imune a dificuldades. Custa mais a Portugal ficar do que sair do euro”, afirma o professor de Columbia

Nobel de Economia e professor da Universidade Columbia, o economista Joseph Stiglitz disse na segunda-feira, 5, numa entrevista à Antena 1, que, se quiser recuperar sua economia, Portugal precisa “sair do euro”. “Acho que a Europa, como um todo, devia começar a pensar num divórcio amigável com alguns países, para estes pensarem em formas para lidar com a saída. Não será um processo imune a dificuldades (…). Custa mais a Portugal ficar do que sair do euro”, sublinha.
Se ficar posando de primo pobre de outros países, como Alemanha, Portugal estará “condenado”, afirma Joseph Stiglitz. O economista sublinha que a Europa “não tem, nem vai ter condições políticas para fazer as mudanças necessárias”.
“Acho que cada vez é mais claro que ficar é mais custoso do que sair”, disse Joseph Stiglitz. O que defendem a permanência de Portugal acreditam que a Alemanha adotara “uma posição mais suave” em relação a alguns países. O economista insiste que os portugueses não devem acreditar na ladainha. As políticas de austeridades prescritas pelo país da chanceler Angela Merkel “vão continuar mesmo que a teoria econômica e até o Fundo Monetário Internacional (FMI) demonstrem, claramente, que a austeridade nunca irá funcionar”.
Outros economistas sugerem que, fora do euro, não há salvação. Não é o que pensa Joseph Stiglitz. Ele aposta que a saída do euro dará a Portugal condições para “crescer, criar emprego e um processo de restruturação da dívida. Apesar de ser duro”, se a “dívida for estruturada, a moeda cresceria”.