Elder Dias
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O Popular pode pagar caro por buscar o “jornalismo de resultados”

A não ser que queira mesmo uma nova cara — que até o momento não apareceu —, o Grupo Jaime Câmara faz gol contra e compromete o futuro de seu veículo mais emblemático

Karla Jaime, Robson Macedo, Leandro Resende e Rosângela Chaves: capital profissional de alta qualidade do qual o Pop abre mão. Substituirá à altura? | Fotos: Divulgação

Karla Jaime, Robson Macedo, Leandro Resende e Rosângela Chaves: capital profissional de alta qualidade do qual o Pop abre mão. Substituirá à altura? | Fotos: Divulgação

Os tempos de crise assolam todos os setores da economia. Alguns mais, outros menos, mas todos são afetados. As redações dos jornais não escapam. Mas é preciso ter temperança para superar os momentos difíceis.

Não é o que se vê na redação de “O Popular”. Não passa um mês sem que haja importantes defecções no quadro de jornalistas. A demissão de repórteres e editores, bem como a entrada de outros, obviamente é algo da rotina de qualquer trabalho da área. Mas assusta como tem sido intensificada a saída — às vezes sem troca — de profissionais de grande experiência em um período curto.

Entre outras baixas (de profissionais da área de suporte, como Manoel de Sousa, da fotografia, e Antônio Baiano, da digitação), contabilizam-se desde o ano passado a saída de jornalistas do nível de Carla Borges, Cristina Cabral, Polly Duarte, Valéria Monteiro, Lídia Borges, Kríscia Fernandes, Patrícia Drum­mond, Thiago Rabelo, Karla Jaime, João Carlos de Faria, Rosângela Magalhães, Rogério Borges, Wan­derley de Faria, Leandro Resende, Robson Macedo, Maurílio Faleiro e Mariosan.

É mais do que um time inteiro. E, a não ser que o Pop queira mesmo ter uma nova cara — o que até o momento não apareceu —, o Grupo Jaime Câmara está fazendo gol contra e comprometendo o futuro de seu veículo mais emblemático.

Não é nada tão difícil de explicar, e dá para continuar a analogia com o futebol. Imagine um time bem montado, já entrosado há algum tempo. Se a escalação continua basicamente a mesma, é bem provável que haja um padrão de jogo consolidado na equipe. O que gera, de igual modo, uma estabilidade, inclusive no rendimento. De repente, há um desmonte no elenco: saem os principais jogadores, o “onze” titular se decompõe.

Como dar sequência ao padrão de jogo? Como remontar um elenco e fazê-lo engrenar em pouco tempo? É o mal que sofrem vários clubes Brasil afora, campeões em um ano, rebaixados no seguinte.

A redação do Pop passa por esse momento. É claro que renovar é preciso, mas o fato é que a equipe do jornal já não se reconhece mais — e nem estamos aqui falando do aspecto motivacional. Ainda há quem produza artigos de nível de excelência, como Silvana Bittencourt e Gilberto G. Pereira, e gente veterana de casa capacitada em todas editorias — Sérgio Lessa, Jânio José da Silva, Malu Longo, Rosana Melo, Rute Guedes, Fabiana Pulcineli, Paula Parreira e tantos outros. Mas a renovação intensa e a reposição insuficiente — isso em termos de quantidade, mas também de experiência — precarizam o trabalho e fazem com que o time não saiba “jogar”.

Naturalmente, a responsabilidade não recai sobre a editora Cileide Alves. O “enxugamento” é política da empresa, que sempre alega contenção de despesas. Para o jornalismo goiano é uma pena. “O Popular” pode ser contestado em sua linha editorial, às vezes formal e carente de mais análise, mas é o jornal diário de referência do Estado. Precisa ser olhado, sim, por um viés mais institucional, por assim dizer.

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